quarta-feira, 4 de janeiro de 2017


Opinião


A Pedra da Lua


Descrito como um dos primeiros policiais da literatura, o enredo assenta no mistério em volta de um diamante indiano de grande valor, chamado Pedra da Lua. Esse diamante estava incrustado na testa de um ídolo indiano muito venerado e vem com uma maldição para quem se apoderar dele.
Essa pedra vai entrar na posse de John Herncastle, um oficial do exército Britânico, por meios obscuros, que se confundem com os saques na zona, próprios de quando há mudanças de poder.
John Herncastle foi rejeitado pela família e lega a Pedra da Lua à sua sobrinha Rachel, pedra essa que, por sua vez, desaparece passado algumas horas, envolta em grande mistério.

A fórmula usada neste livro não é nova, mas temos que ter em conta que, no Séc. XIX, Wilkie Collins revolucionou a escrita de policiais, com a introdução de múltiplas perspetivas, que é como o livro se desenrola. Os acontecimentos são relatados por ordem cronológica e por todos os intervenientes no caso. Os relatos, tanto se complementam - quando falam sobre um mesmo acontecimento - como fazem avançar a história, focando em locais e personagens que, se fosse contado apenas de um ponto de vista, não teríamos como saber. Temos acesso a todos os ângulos do antes, durante e depois do desaparecimento do diamante.
Temos Beteredge, o velho mordomo de Lady Verinder, mãe de Rachel, a Miss Clack, a figura vitoriana da parente pobre e beata, sempre à espera das migalhas dos parentes ricos, mas fingindo nada querer além da salvação da sua alma imortal - uma hipócrita, portanto! Temos também a perspetiva do Sargento Cuff, um personagem tão brilhante quanto Sherlock Holmes, mas sem o vício da cocaína e mais terra-a-terra, temos o sr. Bruff, advogado da família Verinder e Franklin Blake, primo de Rachel e sobrinho de Lady Verinder e o protagonista, se o há, desta história.

Com um início algo morno, o livro ganhou ritmo e  interesse a partir das 60 páginas, onde comecei a ser cozinhada em lume brando, por assim dizer. Cada esquina traz um novo facto que, por si só, não explica nada mas que me fez construir e destruir umas quantas teorias, sem no entanto, conseguir adivinhar o como, onde, quem, quando e porquê, porque está mesmo muito bem escrito e é um  mistério bem engendrado.
Apesar de ser um romance escrito na época vitoriana, é de fácil leitura, sem floreados nem figuras de estilo. É um livro direto. Temos ideia de que os livros escritos nesta época são complicados, mas - e já comprovei com outros autores - isso é apenas impressão. A escrita por norma é simples e direta, capta o leitor e passa a mensagem com eficácia e simplicidade, a par de uma linguagem acessível.

Foi uma leitura agradável, com uma trama bem construída, que me manteve interessada e com vontade de descobrir o que se tinha passado.

Kisses da vossa Geek

11 comentários:

  1. Adorei a tua opinião e motivou-me para ler este livro que reside na estante desde a feira do livro ;)

    Beijinho grande e boas leituras!

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    1. Lê que acho que vais apreciar o engenho que elr pôs no enredo.
      Beijinhos

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  2. Posso dizer que adoro o teu bule? :)
    Olha, eu tenho esse livro, andava à caça dele à séculos de séculos :)
    fiquei ainda mais motivada para o ler.
    Beijinhos
    Roberta

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    1. Claro que podes dizer - é lindo este bule!
      Ainda bem que te motivei - experimenta que vais gostar certamente.
      Beijinhos

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  3. Gosto muito da escrita de Wilkie Collins. Dele já li este e o "A mulher de branco" e gostei bastante de ambos. Bjs

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    1. Também quero ler A Mulher de Branco - pelo que vi da escrita tem tudo para eu gostar!
      Beijinhos

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  4. Do autor só li A mulher de branco e não correspondeu ao que eu esperava :/
    Mas talvez lhe dê outra oportunidade.
    Beijinhos

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    1. Eu gostei pelo engenho apesar da trama não ser nova, mas penso que para a época e por ele ser pioneiro neste estilo de escrita com várias perspectivas, está muito bem feito. Eu dava nova chance, até porque me prece que este difere um bocado de A Mulher de Branco.

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