domingo, 14 de janeiro de 2018

Classificar livros....
o inferno pessoal de qualquer livrólico



Ao rever o meu ano de leituras no Goodreads, apercebo-me que é algo que, realmente, é duvidoso. Tirando gostos pessoais à parte, mesmo nos livros que lemos em comum, temos visões diferentes.

Cada um de nós - e por isso, as leituras conjuntas são muito interessantes - retiramos coisas distintas do mesmo livro. Podemos todos dar a mesma classificação - as famosas "estrelas" - mas podemos dar, considerando aspectos diversos.
Vou referir a minha classificação do livro Mulherzinhas. Li faz quase 10 anos, ou seja, já li bem adulta, não me impressionou por aí além. Mas dei 4 estrelas. Consigo ver o valor da obra enquanto clássico juvenil, que já li tarde, e consigo ver o valor da escrita e da mensagem intrínseca do livro. Mas para mim, foi uma história branda e muito moralista, para dizer as primeiras coisas que me ocorrem na mente.
Já classifiquei experiências de leitura como A Rapariga no Comboio. Não se pode dizer que é uma obra de arte, mas o facto de me ter impelido pelas páginas fora mereceu-me 5 estrelas. Sendo franca: será que se me pedissem uma recomendação de leitura, o recomendaria, assim às primeiras? Não. Porque não considero que seja um livro particularmente bem escrito. Apenas bem engenhoso, com uma trama interessante. Só recomendaria a um aficionado de thrillers.

Dou por mim a pensar que seria melhor classificar os livros a "frio". Classificamos os livros quase no minuto em que os acabamos de ler, quando a experiência de leitura e os pormenores estão frescos na nossa mente. Mas, e depois de um mês? 6 meses? Será que voltaríamos a dar as mesmas classificações? O livro persistiu connosco nesse tempo todo? Possivelmente não. Muito poucos têm essa qualidade de persistir e são esses que se transformam, se não em livros da vida, pelo menos em favoritos.

Tal como no ano passado me desafiei e não pus número de livros a ler no Goodreads, este ano vou fazer algo neste sentido. Irei dar os livros como lidos, mas não irei logo classificar. E vamos ver se saem classificações mais de acordo com o que realmente me fica dessa leitura.

E vocês - já mudaram classificações de livros só porque já não concordavam com elas?

Kisses da vossa Geek

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Ler o que toda a gente lê



Bastas vezes falo com meninas de outros blogs , canais e até só espectadoras e é uma "queixa" recorrente: parece que toda a gente lê os mesmos livros e dá a sua opinião. Já discuti isso no sentido das parcerias e não é por aí que vamos hoje.

A questão é: toda a gente ler o mesmo livro, porque quer entrar na conversa e estar "por dentro".
A comunidade literária, quer de blogs, quer de Youtube, é muito vasta e, quando há um livro que é um hit, toda a gente quer ler naquele segundo. Vemos os vídeos de canais estrangeiros, gostamos do livro e vamos ler. Quando as editoras portuguesas finalmente o traduzem, é um tal de 50 opiniões do mesmo livro, quase ao mesmo tempo. Porque toda a gente quer participar na discussão e, para participar de uma forma alargada, vai ter que ler aquele livro. Aquele que está em todos os escaparates e em todas as estantes dos livrólicos. E isso é um movimento de inclusão  e de interacção do qual estou perfeitamente de acordo. É desta forma que se criam sinergias, projectos em conjunto e até amizades. É neste encontro de pessoas com um gosto partilhado - as leituras - que isso acontece.
Por outro lado, temos imensos "ilustres desconhecidos", livros que têm o potencial de serem tão bons ou tão maus quanto os outros, mais badalados, mas que simplesmente ninguém (aparentemente) os lê ou se os lêem e, como não vêem mais ninguém falar neles, calam a opinião e a experiência de leitura.

No meu caso pessoal, eu até sou aquela maluca que gosta de ver opiniões a favor e contra do mesmo livro, para perceber os pontos fortes e fracos e fazer uma escolha mais consciente de leitura e, possivelmente, de compra. Mas chega a uma altura em que há muitas opiniões que, no fundo, dizem o mesmo, porque há uma quantidade limitada de coisas que se podem dizer de um livro, sem estragar a experiência para ninguém. 
Ao mesmo tempo, se as pessoas leram e gostaram, também querem dar a sua opinião e participar nas conversas sobre o livro, porque é tão bom conversar sobre livros que mexeram connosco com pessoas que também leram e que têm algo a dizer sobre "aquela" personagem, o enredo, enfim, de tudo sobre aquele livro - há sempre algo a acrescentar numa análise ao livro, feita por diversas pessoas.
Eu tanto leio livros mais badalados como livros um pouco mais desconhecidos, ou pelo menos, que são pouco, ou nada discutidos. Há livros premiados dos quais nunca ouvimos falar e há livros tão bons, mas totalmente desconhecidos, que só uma mão-cheia de pessoas leu, e nunca deu feedback.

É difícil fazer a triagem  por entre os inúmeros lançamentos e o marketing feito em favor de alguns livros, e ainda mais quando, no momento de escolher uma próxima leitura,  já vamos com alguns títulos em mente, porque ouvimos ou lemos acerca deles. Mas penso que o exercício de entrar à descoberta de um título, completamente desconhecido, e deixar-nos maravilhar por ele é interessante e benéfico. Nem sempre se vai acertar, mas sempre areja as leituras e quem sabe - não estará ali um favorito da vida?

Kisses da vossa Geek

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Opinião

Na tua Face de Vergílio Ferreira
e
Fanny Owen de Agustina Bessa-Luis

Video onde explico todas as sensações que tive na minha leitura destes 2 grandes, enormes escritores portugueses.

Na Tua Face é um livro doce, urbano, quotidiano e ao mesmo tempo que irradia uma luz e uma calma que apetece ficar. Apetece ficar nas memórias deste narrador, que mistura tudo na cabeça dele, e que nos faz andar aos ziguezagues, para destrinçarmos o que aconteceu do que poderia ter acontecido. Porque ao fim e ao cabo, toda a nossa vida é uma série de hipóteses, de escolhas, de encruzilhadas. E ficamos sempre a pensar "e se?"

Fanny Owen é, em primeiro lugar, quase um documento histórico sobre uma parte da vida do escritor Camilo Castelo Branco. Relata um triângulo onde ele se viu inadvertidamente envolvido e, de onde não saiu incólume, tendo em conta a sua vida depois deste episódio. Namoradeiro como ele só, descontente com a vida e tentando a todo o custo retirar o sumo do que ela tem de melhor, é um retrato de sociedade intenso, bem escrito, com arrebiques de romantismo, que acentuam a "tragédia". Agustina Bessa-Luis brincou um pouco com o dramatismo latente em Camilo e levou-o a outra dimensão.


Kisses da vossa Geek

domingo, 17 de dezembro de 2017

A culpa livrólica


Calma, que nada tem que ver com compras de livros e afins. 
O que estou a pensar é em culpa por não ler tudo. Não ler tudo o que temos nas estantes. Não conseguimos ler tantos livros quantos queríamos ler. Ter um "mau" mês/ano. Não acompanhar as novidades. Enfim, essas culpas todas.

Eu sou uma leitora. Não sei se compulsiva, mas leio entre 50 e 70 livros por ano, sem grandes esforços e sem me retirar da vida de todos os dias.  Segundo a famosa sondagem do Expresso, estou bem acima da média nacional. Vamos começar por aí.
Antes de acompanhar a comunidade do Booktube, já registava as minhas leituras no Goodreads - estou lá desde 2009, se não me engano. Não me lembro particularmente de números - até porque houve anos em que não "estive" lá - mas penso que se cifrava entre os 20/30 livros por ano. O que já considerava muito bom. Se tivesse um mês de ler 4 livros, já achava que estava no topo da parada!
Mas, como o ritmo de leitura é algo que vai melhorando quanto mais se lê, os meus números têm vindo a aumentar gradualmente.
Quando comecei a ver vídeos no Youtube, há cerca de 3 anos, e via resumos de leituras de mês com 8, 10 e mais livros entrei num pânico leve: então, mas porque é que não leio tanto? Devia ser capaz de ler mais? O que posso fazer para melhorar?
Cheguei à conclusão que este é o meu ritmo, que me forçar, apesar de querer muito ler centenas de livros ao mesmo tempo, pela curiosidade que me despertam, mas compreender que isso é humanamente impossível e mais - não conseguiria assimilar toda a informação, do modo como gosto de assimilar.

Passando para o espetro geral: todos os leitores têm imensa curiosidade para ler este, aquele e mais o outro livro. Mas quando vemos pessoas, em vídeo ou em blogue, que leram "este mundo e o outro" num mês, ficamos com sentimentos de frustração. Mais ainda, quando se tem um canal ou blogue literários - há a parte de produção de conteúdo que entra em jogo. Se não se ler em bom ritmo, não se faz conteúdo. Será? Há imensos assuntos a explorar, em termos de livros e literatura, que não dependem exclusivamente da tríade bookhaul/opinião/resumo de leituras do mês. Penso que há lugar para quem lê imenso e para quem lê menos, sem culpas e principalmente - sem pedir desculpa por isso. Embora, se formos a olhar aos canais estrangeiros, vê-se ali por vezes um sentimento de competição muito marcada, o que não é saudável.

Neste momento, anda a decorrer, principalmente nos canais americanos, a discussão sobre o leitor como fraude, que se foca neste tema especificamente.
Pessoas que chegam às leituras do mês com 10 livros e acham que são uma fraude, enquanto booktubers. A pressão para apresentar cada vez mais conteúdo, leva a autênticas crises de ansiedade, o que já provocou a retirada de alguns canais, porque para essas pessoas a leitura começou a parecer emprego e não diversão. Outro facto concorrente para este sentimento, é o facto de já haver alguns ganhos envolvidos e, se não fizerem os vídeos que dão mais visualizações, perdem dinheiro. Mesmo assim, é instrutivo acompanhar toda esta situação e retirar algo de útil.

E vocês, como encaram esta situação? E algo que vos afete? E, se afeta, como lidam com isso?

Kisses da vossa Geek


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017



Um Ano Com a Jodi

Livro para Janeiro



Sage Singer é padeira de profissão. Trabalha de noite, a preparar o pão e os bolos para o dia seguinte, tentando fugir a uma realidade de solidão, a más memórias e à sombra da morte da mãe. Quando Josef Weber, um velhote que faz parte do grupo de apoio de Sage, começa a passar pela padaria, os dois forjam uma amizade improvável. Apesar das diferenças, veem um no outro as cicatrizes que mais ninguém consegue ver.Tudo muda no dia em que Josef confessa um segredo vergonhoso há muito escondido e pede a Sage um favor extraordinário. Se ela disser que sim, irá enfrentar não só as repercussões morais do seu ato, como também potenciais repercussões legais. Agora que a integridade do amigo mais chegado que alguma vez teve está envolta numa névoa, Sage começa a questionar os seus pressupostos e as expectativas em torno da sua vida e da sua família. Um romance profundamente honesto, em que Jodi Picoult explora graciosamente até onde podemos ir para impedir que o passado dite o nosso futuro.

Este é o livro selecionado para o mês de Janeiro, com uma temática a condizer - o Holocausto.
Já sabem que para participar, basta comentar aqui ou nos vídeos da Dora ou da Isaura.

Kisses da vossa Geek