quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Opinião

Na tua Face de Vergílio Ferreira
e
Fanny Owen de Agustina Bessa-Luis

Video onde explico todas as sensações que tive na minha leitura destes 2 grandes, enormes escritores portugueses.

Na Tua Face é um livro doce, urbano, quotidiano e ao mesmo tempo que irradia uma luz e uma calma que apetece ficar. Apetece ficar nas memórias deste narrador, que mistura tudo na cabeça dele, e que nos faz andar aos ziguezagues, para destrinçarmos o que aconteceu do que poderia ter acontecido. Porque ao fim e ao cabo, toda a nossa vida é uma série de hipóteses, de escolhas, de encruzilhadas. E ficamos sempre a pensar "e se?"

Fanny Owen é, em primeiro lugar, quase um documento histórico sobre uma parte da vida do escritor Camilo Castelo Branco. Relata um triângulo onde ele se viu inadvertidamente envolvido e, de onde não saiu incólume, tendo em conta a sua vida depois deste episódio. Namoradeiro como ele só, descontente com a vida e tentando a todo o custo retirar o sumo do que ela tem de melhor, é um retrato de sociedade intenso, bem escrito, com arrebiques de romantismo, que acentuam a "tragédia". Agustina Bessa-Luis brincou um pouco com o dramatismo latente em Camilo e levou-o a outra dimensão.


Kisses da vossa Geek

domingo, 17 de dezembro de 2017

A culpa livrólica


Calma, que nada tem que ver com compras de livros e afins. 
O que estou a pensar é em culpa por não ler tudo. Não ler tudo o que temos nas estantes. Não conseguimos ler tantos livros quantos queríamos ler. Ter um "mau" mês/ano. Não acompanhar as novidades. Enfim, essas culpas todas.

Eu sou uma leitora. Não sei se compulsiva, mas leio entre 50 e 70 livros por ano, sem grandes esforços e sem me retirar da vida de todos os dias.  Segundo a famosa sondagem do Expresso, estou bem acima da média nacional. Vamos começar por aí.
Antes de acompanhar a comunidade do Booktube, já registava as minhas leituras no Goodreads - estou lá desde 2009, se não me engano. Não me lembro particularmente de números - até porque houve anos em que não "estive" lá - mas penso que se cifrava entre os 20/30 livros por ano. O que já considerava muito bom. Se tivesse um mês de ler 4 livros, já achava que estava no topo da parada!
Mas, como o ritmo de leitura é algo que vai melhorando quanto mais se lê, os meus números têm vindo a aumentar gradualmente.
Quando comecei a ver vídeos no Youtube, há cerca de 3 anos, e via resumos de leituras de mês com 8, 10 e mais livros entrei num pânico leve: então, mas porque é que não leio tanto? Devia ser capaz de ler mais? O que posso fazer para melhorar?
Cheguei à conclusão que este é o meu ritmo, que me forçar, apesar de querer muito ler centenas de livros ao mesmo tempo, pela curiosidade que me despertam, mas compreender que isso é humanamente impossível e mais - não conseguiria assimilar toda a informação, do modo como gosto de assimilar.

Passando para o espetro geral: todos os leitores têm imensa curiosidade para ler este, aquele e mais o outro livro. Mas quando vemos pessoas, em vídeo ou em blogue, que leram "este mundo e o outro" num mês, ficamos com sentimentos de frustração. Mais ainda, quando se tem um canal ou blogue literários - há a parte de produção de conteúdo que entra em jogo. Se não se ler em bom ritmo, não se faz conteúdo. Será? Há imensos assuntos a explorar, em termos de livros e literatura, que não dependem exclusivamente da tríade bookhaul/opinião/resumo de leituras do mês. Penso que há lugar para quem lê imenso e para quem lê menos, sem culpas e principalmente - sem pedir desculpa por isso. Embora, se formos a olhar aos canais estrangeiros, vê-se ali por vezes um sentimento de competição muito marcada, o que não é saudável.

Neste momento, anda a decorrer, principalmente nos canais americanos, a discussão sobre o leitor como fraude, que se foca neste tema especificamente.
Pessoas que chegam às leituras do mês com 10 livros e acham que são uma fraude, enquanto booktubers. A pressão para apresentar cada vez mais conteúdo, leva a autênticas crises de ansiedade, o que já provocou a retirada de alguns canais, porque para essas pessoas a leitura começou a parecer emprego e não diversão. Outro facto concorrente para este sentimento, é o facto de já haver alguns ganhos envolvidos e, se não fizerem os vídeos que dão mais visualizações, perdem dinheiro. Mesmo assim, é instrutivo acompanhar toda esta situação e retirar algo de útil.

E vocês, como encaram esta situação? E algo que vos afete? E, se afeta, como lidam com isso?

Kisses da vossa Geek


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017



Um Ano Com a Jodi

Livro para Janeiro



Sage Singer é padeira de profissão. Trabalha de noite, a preparar o pão e os bolos para o dia seguinte, tentando fugir a uma realidade de solidão, a más memórias e à sombra da morte da mãe. Quando Josef Weber, um velhote que faz parte do grupo de apoio de Sage, começa a passar pela padaria, os dois forjam uma amizade improvável. Apesar das diferenças, veem um no outro as cicatrizes que mais ninguém consegue ver.Tudo muda no dia em que Josef confessa um segredo vergonhoso há muito escondido e pede a Sage um favor extraordinário. Se ela disser que sim, irá enfrentar não só as repercussões morais do seu ato, como também potenciais repercussões legais. Agora que a integridade do amigo mais chegado que alguma vez teve está envolta numa névoa, Sage começa a questionar os seus pressupostos e as expectativas em torno da sua vida e da sua família. Um romance profundamente honesto, em que Jodi Picoult explora graciosamente até onde podemos ir para impedir que o passado dite o nosso futuro.

Este é o livro selecionado para o mês de Janeiro, com uma temática a condizer - o Holocausto.
Já sabem que para participar, basta comentar aqui ou nos vídeos da Dora ou da Isaura.

Kisses da vossa Geek

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Curtas e Boas #1


Inauguro aqui uma rubrica de pequenas opiniões de livros.


O meu guilty pleasure. A minha literatura de descontração total. 
Caroline divorcia-se de um gestor de fundos poderoso e deixa o seu belo apartamento em Singapura, com a sua filha adolescente a reboque e vão para a Inglaterra rural. Já se vê para recomeçar, mas com uma adolescente resmungona atrás, não é fácil. O ex-marido não paga regularmente a pensão de alimentos da filha, o que no inicio Caroline pensa que é por simples desprezo, mas, depois apercebe-se que ele estava envolvido num esquema tipo Madoff e, por isso, ficou com as contas congeladas. 
Para onde ela vai viver, arranja uma rede de amigos que a ajudam a refazer a sua vida, em todos os sentidos: voltar a ser independente e voltar a amar.
Os livros esta autora normalmente pautam-se por um romance mais ou menos açucarado, com um mistériozinho à mistura para ir contrabalançando. É algo que me agrada e que me põe a voar pelas páginas fora. A fórmula agrada e volto sempre que preciso de uma leitura descontraída.


Um thriller de mão-cheia. Atmosférico, aterrorizador em variadas alturas.
Lydia e Kirstie são gémeas totalmente idênticas e, por volta dos 6 anos de idade, Lydia morre num acidente doméstico. O livro começa depois de um ano disso acontecer, e quando os pais das meninas, Sarah e Angus,estão de partida para uma ilha remota ao largo da Escócia, um sitio que está virtualmente em ruínas, não tem estrada para lá chegar e não tem comunicações. Então, Kirstie começa a afirmar que ela é a Lydia e que foi a Kirstie que morreu. E, começa aí a baralhação e o tormento dos pais, que vai ter um desfecho surpreendente.
Adorei o ar tétrico da ilha, das coisas que não são ditas entre Sarah, Angus e Kirstie. Há todo um nível de não-comunicação, que é ,em si mesmo, revelador. As fotografias inclusas no livro, do local que inspirou o autor emprestam veracidade e um cenário à nossa mente.
Se gostam de thrillers, este é mesmo muito bom, muito bem construído e que faz pensar em bastantes aspetos, não só no mistério de qual gémea é que morreu, ao certo.

Este é um romance histórico, tendo como personagem central D. Leonor de Lencastre, Rainha e esposa de D. João II, o Príncipe Perfeito, grande impulsionador dos Descobrimentos.
O livro, sendo bastante curto, para abarcar uma vida tão cheia, é, no entanto, uma boa introdução à vida desta Rainha, que foi a patrona das Misericórdias portuguesas. Foi ela que estabeleceu o primeiro hospital termal da Europa, em Caldas da Rainha. Filha, esposa e tia de reis, ela viveu toda a sua vida no meio da corte e das suas intrigas. Conheceu todos os aspetos da corte portuguesa, no bom e no mau sentido.
Com uma escrita fluída e fácil de seguir, este é um bom livro para quem quer se iniciar na leitura de históricos.

Já leram algum destes livros?

Kisses da vossa Geek

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Historiquices de Dezembro

Catarina de Bragança, Rainha de Inglaterra


No ultimo mês do ano, voltamos a uma grande senhora, portuguesa e Rainha, mas de outro país. Falo de Catarina de Bragança, filha de D. João IV, rei da Restauração da Independência.

Catarina teve uma infância feliz apesar de o seu pai, 8º conde de Bragança, ter levado a maior parte da sua vida a combater, para ficar independente e, depois de conquistada a independência, de a conseguir manter, pois Espanha estava sempre a dar luta nas fronteiras recém-definidas. Muitas vezes, sua mãe, Luísa de Gusmão, atuou como regente do recém-independente Reino de Portugal. Uma mulher de grande inteligência, que se ocupava pessoalmente da educação dos seus filhos e que serviu, mesmo após a morte de seu marido, como regente durante o reinado de seu filho Afonso, mentalmente incapaz de reinar.
Como tal, o casamento de Catarina ( e dos seus irmãos e irmãs) tinha que ser no sentido de proteger e arranjar alianças contra Espanha e, foi assim decidido, que se casaria com Carlos II de Inglaterra, levando consigo o fabuloso dote de Tânger, Bombaim e um barco cheio de especiarias, que valeria mais que ouro.
Uma nota de como Catarina era senhora do seu nariz: ela nunca abdicou da sua fé católica, num país de protestantes. Casou, em segredo, numa cerimónia católica, casando publicamente pelo rito anglicano. Sempre manteve o seu culto. O que não lhe trouxe muitos aliados numa corte estrangeira e protestante. O seu casamento foi infrutífero, pela sua parte, pois Carlos tinha muitos filhos bastardos das suas amantes. Mas sempre exigiu respeito, no trato a Catarina, a toda a corte e recusou inclusivé divorciar-se dela. O casamento, que no início foi acidentado, por causa das amantes de Carlos, transformou-se numa união de mentes e de respeito mútuo.
Quando Carlos morreu, Catarina voltou a Portugal, pois nada a prendia a Inglaterra. Mas o povo inglês sempre gostou muito dela, apelidando-a de "good Queen Catherine". Na corte é que ela era desprezada e humilhada.

Dos muitos anos da estadia de Catarina por Inglaterra, ficou o hábito arraigado do chá, do doce de laranja amarga, da introdução do uso de talheres e do tabaco.

Para esta última figura, ficam aqui os destaques em livros e documentários.

Livros






















Kisses da vossa Geek