quinta-feira, 15 de junho de 2017

Será que a leitura tem sexo?


Ao contrário do que o título possa sugerir, não vou falar no género erótico, nem se determinado livro tem demasiadas passagens X-rated.
O que me proporciona esta reflexão é o facto de a maioria dos blogues e canais literários amadores serem feitos, quase em exclusivo, por mulheres. Homens, com idades compreendidas entre os 30 e os 60 anos, parecem como que desaparecidos do panorama literário português. Quase se poderia dizer que os homens, nesta faixa etária, não leem. Será verdade?
Nesta minha curta experiência de blogues e canais, vejo que os homens, entre os 30 e 60 anos leem. Bastante. Mas, se por um lado, não gostam de partilhar as suas leituras com o mundo - salvo raras exceções - o seu ritmo é mais baixo e inconstante que o das mulheres, e só pegam num livro que realmente os preencha.
O que pude constatar nos poucos blogs de homens desta faixa etária, é que, se tiverem que passar três meses sem lerem duas letras juntas, não é grave e não se stressam, por não fazerem conteúdo para o blog. Da mesma maneira, são capazes de ler um livro por mês, mas esse livro ser muito gratificante. Não se impressionam com os últimos lançamentos editoriais - pelo contrário: têm tendência para fugir de tudo o que lhes cheire a muito comercial. Gostam de aliar uma boa história e uma excelente escrita, mas, se tiverem que escolher, a boa escrita vence sempre um enredo mirabolante. Gostam de ler e refletir sobre o que leram.

E as mulheres? Nós somos buliçosas, serial-readers e sempre inquietas. Lemos 10 livros num mês e achamos sempre que foi pouco, que os blogues e os canais podem sofrer com a falta (imaginária) de conteúdos. Gostamos de um bom enredo e uma boa escrita, mas na escolha - iremos escolher sempre a história apaixonante - é o que nos faz virar as páginas, em rápida sucessão, para podermos saber o final. Enfim, gostamos de açambarcar a experiência de leitura toda, de uma vez.

Analisando: homens e mulheres veem os livros de ângulos diferentes, mas numa coisa são iguais - retiram o que os satisfaz do ato de ler um livro, e isso é sempre válido.

E vocês - acham que se aplicam estas diferenças?

Kisses da vossa Geek

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Reflexões sobre a Feira do Livro

(FLL de 1931)

Esta é aquela altura do ano em que os livrólicos perdem a cabeça - e a carteira - e rumam ao "santuário" do Parque Eduardo VII, ou seja à Feira do Livro de Lisboa.
É um evento incontornável, pelo qual todo o leitor anseia, e, que só mesmo por uma impossibilidade maior é que não irá, pelo menos por umas horas, satisfazer a "gula" de andar de stand em stand, folheando aqui, lendo acolá, comparando preços, e, no geral, absorvendo toda aquela atmosfera de livros e autores, que é única.
Eu própria fui no fim de semana que passou, e, como não podia deixar de ser, trouxe uns livrinhos para casa, porque - eu até nem tenho nada nas estantes para ler (estou a brincar!). Mas livros nunca são demais, é o mantra que repito para mim mesma.
Mas, se nos outros anos - este foi o 4º ano consecutivo - fui "sem rei nem roque", ou seja, sem planeamento e comprava, comprava e comprava, este ano fui munida de eventos - nomeadamente, sessões de autógrafos a que queria ir - quer de preços de livros do dia e promoções afins. E correu muito melhor, que vou passar a explicar.
Eu tenho uma lista infinda de livros e, se for a dar crédito à minha lista de desejos, teria gasto o orçamento, logo nas primeiras duas bancas.
O fazer uma lista dos livros do dia ajudou a que eu desse prioridade aos que realmente quero ler em breve - até ao final do ano - em detrimento de pechinchas, por serem pechinchas. Fiz isso nos outros anos e arrependo-me,  pois os livros estão lá, foram baratos sim senhor - mas, e o interesse para os ler? Se houve algum, passou. E agora, olho para eles e digo " mas o que é que tu estás aqui a fazer?" Mas também não me consigo decidir a livrar-me deles, pois alguma coisa me deve ter chamado á atenção, para eu os ter selecionado, entre os milhares que lá estavam.
Outra coisa que me facilitou a vida, foi ter ido diretamente e em primeiro lugar aos sítios onde estavam as minhas seleções, e só no final, dar uma volta geral. Ajudou muito para pôr os gastos e prioridades em perspetiva - "quero mesmo ler aquele livro ou só o quero porque está barato?"
Isto tudo, e ter respeitado o orçamento que me impus, fez com que não viesse desta feira com a sensação de ter trazido muita coisa, para depois o interesse esfriar, no entretanto.
E vocês? Que dicas seguem? Digam-me tudo nos comentários.
Kisses da vossa Geek
Domingo Especial na Feira do Livro
Estive este fim de semana em Lisboa, para a Feira do Livro. Já é habitual fazer este programinha, nestes últimos anos. Mas o que houve de novo, este ano, foi o meu domingo ser cheio de eventos com outras meninas, nomeadamente bloggers e booktubers.

Para começar bem o domingo, fui ao encontro do Clube dos Clássicos Vivos, do qual eu sou moderadora, com a criadora do clube, a Cláudia Oliveira do blog e canal A Mulher que Ama Livros e com a outra moderadora, a Carolina Paiva do blog Holly Reader. Estiveram muitos membros presentes, tal como a foto de grupo atesta.

Discutimos o livro de Truman Capote, Boneca de Luxo ou Breakfast at Tiffany´s, que reli, para clarificar algumas partes do livro, que apesar de pequeno, ficaram confusas na minha cabeça. Esta re-leitura trouxe-me a clareza que precisava, para falar sobre o livro e o enredo.
Toda a gente concordou que o livro soube a pouco. Mas que o autor escreve maravilhosamente bem, pois em poucas páginas (menos de 100) conseguiu nos cativar de tal maneira que queríamos saber mais, em mais profundidade. E foi isso que faltou.
Foram distribuídas lembranças do encontro, com o que se pode considerar a marca "Clube dos Clássicos Vivos", além de um sorteio com livros disponibilizados pelo grupo Porto Editora, para o efeito.
Em seguida, rumei a um almoço com meninas de canais e blogues literários, para uma refeição bem regada de....livros. De todas as formas e feitios. O que gostamos. O que não gostamos. Opiniões polémicas sobre livros muito bem conceituados. Enfim, foram conversas bastante interessantes e com troca de impressões com quem anda nestas lides, há bem mais tempo que eu. Dá sempre para aprender e ter outra visão deste mundo de blogues.

Balanço final: dia muito bem passado, onde conheci pessoas que queria conhecer há bastante tempo e onde os livros estiveram no centro de todas as conversas.
Kisses da vossa Geek

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Opinião

As Serviçais

Este livro conta a história do Sul profundo da América, nos anos 60 -  era Kennedy e um pouco após.
Conta a história da quase escravidão das criadas negras, mal pagas e subjugadas ás senhoras brancas, que achavam que até lhes pagavam demasiado e eram muito indulgentes com elas.


O enredo é contado do ponto de vista de 2 dessas criadas - a Aibelene e a Minny - e de uma rapariga, Skeeter,  jornalista e cronista reticente destas vidas tão solitárias, abnegadas e de certo modo tão vividas, tão sentidas e tão cheias de significado.
O medo do KKK ainda se faz sentir muito, tal como as represálias dos brancos em relação aos negros, por todo e qualquer evento que lhes lembre que eles estão a conquistar direitos, quer nas universidades, quer nas casas deles. Fala-se nos movimentos estudantis, na marcha do Dr. Martin Luther King e de outros movimentos de desobediência civil, em luta pela igualdade de direitos.
A história começa de um modo muito caricato: pela construção de um WC. Isto vai despoletar toda uma série de situações, que irão culminar com algumas vidas mudadas e algumas mentalidades em processo de mudarem...mas ainda não será desta vez.
A escrita da autora prende-nos desde o início e adorei as protagonistas. Ri a bom rir do mau feitio da Minny, chorei com a Aibilene, ri com ela também e chateei-me com a mentalidade de cidade pequena, que atrofia a Skeeter.
Como já tentei ler este livro na língua original, sei que ele está escrito quer no dialeto utilizado pelas criadas, quer num discurso polido, no caso da jornalista. Ou seja, o tipo de linguagem muda conforme o personagem desse capítulo, o que faz com que todos os personagens tenham uma voz única, que reconhecemos. E isso traz uma autenticidade que me agradou muito. Foi como ter aquelas mulheres todas, a falarem diretamente comigo.
O livro fez-me rir, fez-me chorar e conseguiu-me dizer uma coisa que já sabia, mas que é importante na mesma: o espírito humano é inquebrantável, pois por mais que o rebaixem, ele volta sempre a erguer-se e a lutar mais um dia. Hoje podem ter perdido, mas quem sabe amanhã será diferente?


Kisses da vossa Geek

sábado, 27 de maio de 2017

Os novos fenómenos de escrita

Como sou nova nestas andanças de blogues e páginas literárias, há umas semanas dei comigo, numa cena mais ou menos familiar a todos nós: o mindless scroll pelo feed do Facebook. E, no clicar de um link de um amigo de um amigo de um amigo (ad aeternum), reparei num fenómeno, tipo corrente subterrânea, que não conhecia.
E esse fenómeno é páginas de escrita, que mais tarde viram livros.

Como se começa? Simples. Começa-se por ter uma página pessoal, onde vai fazendo uns posts, as pessoas começam a seguir  em massa, com isso veêm muitos "gostos" e em última análise, há uma editora que se dispõe a pôr todos aqueles escritos ( e outros), num livro físico e a vender. Foi isto que retirei desta minha pesquisa.
Não critico nada nem ninguém , porque ao fim e ao cabo - quem sou eu para criticar? Tudo acaba por ser uma expressão artística e quem gosta, gosta;quem não gosta, não lê.

Apenas me chamou a atenção o processo para chegar até à publicação do livro. Todos temos na ideia o cliché do escritor enfiado num escritório, ou num sótão bafiento, sozinho, a criar, escrever e reescrever, a levar muitos "nãos" até ser, finalmente editado, e, quando isso acontece, os primeiros livros têm normalmente vendas modestas, até conseguir ter um público fiel.
Na era das redes sociais, este paradigma inverteu-se: o escritor (ou futuro escritor) já parte para a editora com uma base de fãs que não é de desprezar, pois já vi livros com as pré-vendas esgotadas. Pode-se dizer que o "cavalo" em que a editora aposta já é ganhador, pois (quase) toda a gente que segue essa página, irá comprar o livro físico. Não há grandes riscos aí - todos ganham: o autor, porque já tem um público fiel; a editora, que consegue fazer um cálculo aproximado do que irá vender e o público, porque pode ter o livro físico.
Serão estes os "novos" autores? Estou a pensar numa escala mundial....será esta a nova maneira de cativar os leitores e ter a certeza que os livros vendem?

Kisses da vossa Geek