quarta-feira, 7 de junho de 2017

Domingo Especial na Feira do Livro
Estive este fim de semana em Lisboa, para a Feira do Livro. Já é habitual fazer este programinha, nestes últimos anos. Mas o que houve de novo, este ano, foi o meu domingo ser cheio de eventos com outras meninas, nomeadamente bloggers e booktubers.

Para começar bem o domingo, fui ao encontro do Clube dos Clássicos Vivos, do qual eu sou moderadora, com a criadora do clube, a Cláudia Oliveira do blog e canal A Mulher que Ama Livros e com a outra moderadora, a Carolina Paiva do blog Holly Reader. Estiveram muitos membros presentes, tal como a foto de grupo atesta.

Discutimos o livro de Truman Capote, Boneca de Luxo ou Breakfast at Tiffany´s, que reli, para clarificar algumas partes do livro, que apesar de pequeno, ficaram confusas na minha cabeça. Esta re-leitura trouxe-me a clareza que precisava, para falar sobre o livro e o enredo.
Toda a gente concordou que o livro soube a pouco. Mas que o autor escreve maravilhosamente bem, pois em poucas páginas (menos de 100) conseguiu nos cativar de tal maneira que queríamos saber mais, em mais profundidade. E foi isso que faltou.
Foram distribuídas lembranças do encontro, com o que se pode considerar a marca "Clube dos Clássicos Vivos", além de um sorteio com livros disponibilizados pelo grupo Porto Editora, para o efeito.
Em seguida, rumei a um almoço com meninas de canais e blogues literários, para uma refeição bem regada de....livros. De todas as formas e feitios. O que gostamos. O que não gostamos. Opiniões polémicas sobre livros muito bem conceituados. Enfim, foram conversas bastante interessantes e com troca de impressões com quem anda nestas lides, há bem mais tempo que eu. Dá sempre para aprender e ter outra visão deste mundo de blogues.

Balanço final: dia muito bem passado, onde conheci pessoas que queria conhecer há bastante tempo e onde os livros estiveram no centro de todas as conversas.
Kisses da vossa Geek

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Opinião

As Serviçais

Este livro conta a história do Sul profundo da América, nos anos 60 -  era Kennedy e um pouco após.
Conta a história da quase escravidão das criadas negras, mal pagas e subjugadas ás senhoras brancas, que achavam que até lhes pagavam demasiado e eram muito indulgentes com elas.


O enredo é contado do ponto de vista de 2 dessas criadas - a Aibelene e a Minny - e de uma rapariga, Skeeter,  jornalista e cronista reticente destas vidas tão solitárias, abnegadas e de certo modo tão vividas, tão sentidas e tão cheias de significado.
O medo do KKK ainda se faz sentir muito, tal como as represálias dos brancos em relação aos negros, por todo e qualquer evento que lhes lembre que eles estão a conquistar direitos, quer nas universidades, quer nas casas deles. Fala-se nos movimentos estudantis, na marcha do Dr. Martin Luther King e de outros movimentos de desobediência civil, em luta pela igualdade de direitos.
A história começa de um modo muito caricato: pela construção de um WC. Isto vai despoletar toda uma série de situações, que irão culminar com algumas vidas mudadas e algumas mentalidades em processo de mudarem...mas ainda não será desta vez.
A escrita da autora prende-nos desde o início e adorei as protagonistas. Ri a bom rir do mau feitio da Minny, chorei com a Aibilene, ri com ela também e chateei-me com a mentalidade de cidade pequena, que atrofia a Skeeter.
Como já tentei ler este livro na língua original, sei que ele está escrito quer no dialeto utilizado pelas criadas, quer num discurso polido, no caso da jornalista. Ou seja, o tipo de linguagem muda conforme o personagem desse capítulo, o que faz com que todos os personagens tenham uma voz única, que reconhecemos. E isso traz uma autenticidade que me agradou muito. Foi como ter aquelas mulheres todas, a falarem diretamente comigo.
O livro fez-me rir, fez-me chorar e conseguiu-me dizer uma coisa que já sabia, mas que é importante na mesma: o espírito humano é inquebrantável, pois por mais que o rebaixem, ele volta sempre a erguer-se e a lutar mais um dia. Hoje podem ter perdido, mas quem sabe amanhã será diferente?


Kisses da vossa Geek

sábado, 27 de maio de 2017

Os novos fenómenos de escrita

Como sou nova nestas andanças de blogues e páginas literárias, há umas semanas dei comigo, numa cena mais ou menos familiar a todos nós: o mindless scroll pelo feed do Facebook. E, no clicar de um link de um amigo de um amigo de um amigo (ad aeternum), reparei num fenómeno, tipo corrente subterrânea, que não conhecia.
E esse fenómeno é páginas de escrita, que mais tarde viram livros.

Como se começa? Simples. Começa-se por ter uma página pessoal, onde vai fazendo uns posts, as pessoas começam a seguir  em massa, com isso veêm muitos "gostos" e em última análise, há uma editora que se dispõe a pôr todos aqueles escritos ( e outros), num livro físico e a vender. Foi isto que retirei desta minha pesquisa.
Não critico nada nem ninguém , porque ao fim e ao cabo - quem sou eu para criticar? Tudo acaba por ser uma expressão artística e quem gosta, gosta;quem não gosta, não lê.

Apenas me chamou a atenção o processo para chegar até à publicação do livro. Todos temos na ideia o cliché do escritor enfiado num escritório, ou num sótão bafiento, sozinho, a criar, escrever e reescrever, a levar muitos "nãos" até ser, finalmente editado, e, quando isso acontece, os primeiros livros têm normalmente vendas modestas, até conseguir ter um público fiel.
Na era das redes sociais, este paradigma inverteu-se: o escritor (ou futuro escritor) já parte para a editora com uma base de fãs que não é de desprezar, pois já vi livros com as pré-vendas esgotadas. Pode-se dizer que o "cavalo" em que a editora aposta já é ganhador, pois (quase) toda a gente que segue essa página, irá comprar o livro físico. Não há grandes riscos aí - todos ganham: o autor, porque já tem um público fiel; a editora, que consegue fazer um cálculo aproximado do que irá vender e o público, porque pode ter o livro físico.
Serão estes os "novos" autores? Estou a pensar numa escala mundial....será esta a nova maneira de cativar os leitores e ter a certeza que os livros vendem?

Kisses da vossa Geek

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Desafio Literário
Um Ano Com a Jodi

Este é um projeto de leituras conjuntas organizado pelo canal da Dora, o blog da Isaura Pereira e o meu blog.

Como sabemos, a Jodi Picoult é uma escritora prolífica, daí termos decidido ler um livro por mês, fazendo um chat individual para cada livro, partilhando as experiências de leitura.
Todos os meses, anunciamos qual vai ser o título escolhido para iniciarmos no dia 1 do mês seguinte, de modo a que, quem se quiser juntar a nós, tenha tempo de arranjar o livro e programar as suas leituras.
Para o mês de Junho e no dia 1, arrancamos com a leitura do Compaixão.

Quem se vai juntar a nós? Digam nos comentários.

Kisses da vossa Geek

terça-feira, 23 de maio de 2017

Opinião


O Ano da Dançarina

Entrei para este livro, sabendo apenas um pouco da sinopse e o muito que gostei da leitura de outro livro desta autora, Alma Rebelde.

Este é um romance histórico centrado no ano de 1918, em Portugal, durante o governo de Sidónio Pais, e ainda durante a razia que a pneumónica fez, num país atrasado sob todos os aspetos, enfraquecido com milhares de homens na frente francesa, fraco de mentes e de costumes.
Acompanhamos a família Lopes Moreira, de grandes posses e mais particularmente Nicolau, o primogénito da família, cuja desilusão amorosa o leva a listar-se impensadamente no Exército e, da qual volta, com uma deficiência permanente e com um trauma de guerra imenso para domar.
Ao mesmo tempo, vemos as tensões entre os sindicatos e o Governo escalarem de nível, a par com o começo da luta pela igualdade entre sexos, na pessoa de Bernarda e Eunice, irmãs de Nicolau e ainda de Cecília, uma "repórter" contratada por Bernarda.
A escrita foi me puxando devagar, mas sempre empolgante, durante a primeira metade do livro, e desse ponto para a frente, foi viciante e praticamente só larguei quando acabei. É uma escrita fluída, bonita, com detalhes mas não exaustivos, de modo a que fiquemos perdidos nas descrições. Tudo com conta, peso e medida, o que me agradou muito, pois num cenário tão rico, podia haver a tentação de cair em descrições demasiado extensas, que quebrariam o ritmo da narrativa. Tudo tem o seu lugar, propósito e dimensão certa.
Todos os personagens estão bem caracterizados e não são nada estereotipados. Acima de tudo, temos um retrato de sociedade fiel, bem feito, cheio de pormenores que o trazem á vida, tal como o contraste entre os muito ricos e abastados, banqueteando-se e divertindo-se noite fora pelos clubes noturnos e o povo, que mal tinha dinheiro para o pão nosso de cada dia. Enfim, as idiossincrasias deste nosso país, que tem condições fabulosas para viver, mas onde há gente que passa tão mal....
Para quem gosta de ficção histórica ou ainda de uma história bem contada, de uma autora portuguesa a ter em conta.

Kisses da vossa Geek