domingo, 21 de maio de 2017

Projeto Historiquices
Junho
Pearl S. Buck

Chegámos ao meio do ano! Passou depressa.

Para este mês de Junho, escolhi uma escritora acerca da qual, não vejo grande hype em volta. Uma mulher que ganhou um Pulitzer e um Nobel.

Pearl Sydenstricker Buck nasceu em Hillsboro,  West Virginia e aos 3 nos de idade, os seus pais missionários foram viver para a China, levando-a com eles. Ela praticamente viveu toda a sua adolescência nesse país e ficou grandemente marcada por ele. Aos 15 anos, trabalhou num abrigo para mulheres escravas e prostitutas, o que fez com que a cultura chinesa, as suas ideias acerca da posição das mulheres, o ambiente quase medieval que se vivia à época, se refletisse mais tarde, nas suas obras.
Foi estudar psicologia para os Estados Unidos e, depois de se formar, voltou à China, para ensinar numa escola: casou e viveu lá, até á Guerra Civil, quando foi evacuada para o Japão, e daí para a América. Ela nunca mais foi autorizada a voltar à China, o que muito a desgostava. O governo chinês sempre recusou os pedidos de visto, alegando que ela era uma "agente imperialista".
Sendo amiga da Primeira-Dama Eleonor Roosevelt, e, muito antes de sequer se ouvir falar em movimentos de direitos civis, já ela tinha fundado um movimento, que advogava igualdade de direitos para as mulheres e igualdade racial.
Pearl S. Buck foi uma escritora muito prolífica, escrevendo desde romances, contos, não-ficção e programas de rádio. A maioria dos seus livros foram adaptados para filme.
A cultura chinesa sempre foi bastante focada nas obras dela, sendo a Flor Oculta tida como  a "tradução" para livro da ópera Madame Butterfly, pois o enredo tem as mesmas questões e os mesmo temas a serem focados.

Livros










quarta-feira, 17 de maio de 2017

Opinião

A Vegetariana

Yeong-hye é uma mulher jovem, totalmente mediana, que vive uma vida mediana, tem um marido mediano e nada de especial se passa. Até ao dia em que ela tem um terrível pesadelo e torna-se vegetariana, de um dia para o outro. O marido dá com ela no dia seguinte, a esvaziar o frigorífico de todo e qualquer alimento de origem animal.
Mas ela não pára aí.
Depois de a forçarem a comer, ela retrai-se cada vez mais para o seu interior, deixando apenas a casca vazia do seu corpo, cada vez a definhar mais.

Este é o mote para um livro surpreendente, bizarro, estranho mas ao mesmo tempo tão compreensível.
A escrita é nua e crua: tudo o que a autora quis passar, fê-lo claramente com as suas 190 páginas, onde todas as palavras têm o seu lugar e a sua função. Não há hipérboles, nem descrições extensas. Tudo direito ao cerne da questão. Gostei imenso de ser confrontada, sem filtros, pela crueza da vida e das circunstâncias.
Nunca temos acesso ao que a protagonista pensa - o livro está dividido em 3 partes, onde são outras pessoas (o marido, o cunhado e a irmã) que contam a história, a partir da altura em que ela se tornou vegetariana e como evolui a sua vida, a partir desse momento. Apenas na parte do marido temos alguns excertos onde ela fala, principalmente dos sonhos que a assolam.

Este livro tem uma forte carga sociológica, pois está totalmente enraizado na sociedade coreana, que, para mim, ainda é um pouco estranha, apesar de ter noção que é altamente patriarcal. E machista. As mulheres são coisas, decoração, força de trabalho, mães, mas nunca são realmente ouvidas - só têm deveres e obrigações e nunca direitos. E penso que foi isso, mais que tudo, que levou Yeong-hye a querer controlar algo: o seu corpo. O que comia e como o tratava. Foi como se a sua mente se revoltasse contra todas as injúrias, humilhações e esquecimentos a que ela estava votada e decidisse que era altura dela ter algo para si, decidido por si.
O que para mim ainda tornou o livro melhor, foi que, partindo deste ponto, podemos ver todas as outras pessoas que foram afetadas, refletirem sobre a sua própria vida, os seus desejos, angústias secretas, luxúria, dever e honra. E no fundo, para onde vão na sua vida, em que direção se encaminham. Yeong-hye foi como que um catalisador para essas reflexões.

Kisses da vossa Geek

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Vídeo no canal

A Quente



Esta foi uma rúbrica que criei para dar opiniões do que quer que me tenha dado uma emoção forte - positiva ou negativa - sobre tudo: livros, filmes e series.

Espero que gostem

Kisse da vossa Geek
II Encontro do Clube dos Clássicos Vivos


Como a própria imagem indica, vai ser na nossa muito querida Feira do Livro de Lisboa.

O ponto de encontro vai ser no Espaço Porto Editora entre as 10,30/11h do dia 4 de Junho. A discussão - já sabem: o livro A Boneca de Luxo, de Truman Capote.

Esperamos por todos vocês lá.


Kisses da vossa Geek

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Reflexões

Autores favoritos
Quase todos nós temos aquele autor ,ou conjunto de autores - em géneros diferentes, falando no meu caso - os quais compramos livros sem ler sinopses: é de fulano de tal ou sicrana de tal? Já está comprado!
Mas quanto deste comportamento é "são"? E não digo só por causa da carteira de um livrólico, que coitada, sofre estes rombos todos sem se poder queixar, mas sim - o quanto é que comprar automaticamente é racional?
Dou o meu exemplo específico: nos romances históricos, tenho como referência a Isabel Stilwell, em autores portugueses. Só me falta ler 2 dos livros publicados. Mas se pensam que não tive deceção nenhuma com ela, enganam-se: já tive. Mas não foi por isso que parei de comprar, ou que tenha relegado a autora para o final das minhas preferências. Pois apenas um deles não me agradou, e até atribuo isso ao possível pouco interesse que a personagem abordada tinha.
Depois de ler esse livro menos bom - que nem acabei, devo frisar - fui com algum receio para o próximo. Será que a "magia" tinha terminado? Não, não tinha. Li 2 livros em seguida e adorei cada um deles.
Num exemplo oposto, a minha referência a nível de históricos internacionais, era a Philippa Gregory - adorei a série Tudor, achei-a a um nível espetacular e a série Primos em Guerra achei a coisa mais básica de sempre, desinteressante - tanto assim foi, que não li mais nada além do 3º livro. Confesso que há alguns títulos dela que me chamam a atenção, mas tenho receio, depois das 3 desilusões em sucessão.
Há pessoas que compram tudo de determinado autor e, mesmo aquilo que toda a gente afirma que não prestou, dizem que é excelente e que está ao mesmo nível dos outros. Será cegueira por terem gostado tanto dos trabalhos anteriores? Ou simplesmente "os outros" estão apostados em deitar abaixo aquele autor, que tanto veneram?
A minha opinião é de que quando compramos "cegamente", é porque gostámos tanto de um livro em particular, que nos disse tanto, que queremos ter essa sensação de volta. E porque as sensações guardam-se no cérebro, tentamos replicá-las, para termos a mesma adrenalina e emoção.
Enquanto a sensação se mantiver, vamos achar esse autor o melhor e de nossa eleição - quando ele não nos fizer sentir o mesmo arrepio, como se estivessemos a ler pela primeira vez, é quando o iremos deixar de lado, talvez não em definitivo, mas passamos a comprar e a ler mais racionalmente.

E você - concordam? Não? Digam-me tudo nos comentários.

Kisses da vossa Geek