quarta-feira, 12 de abril de 2017


Os 10 ódios de estimação que tenho nos livros

Inspirada pelo post da Raquel, do canal do Youtube e blog So Happy with Books, resolvi também fazer o meu top de coisas que não gosto nos livros.

1 - Capítulos longos - ok, esta parece fútil, mas gosto mais de capítulos curtos porque me impelem mais a ler.

2 - Triângulos amorosos metidos "à força" - só para introduzir algum tipo de interesse na história, ou porque chegou a um impasse, mas sem fazer avançar o enredo - dispenso! Tal como cenas de sexo com o mesmo intuito - "vamos alegrar isto, que está morto": morte certa para mim.


3 - O "Calimero" - aquela personagem coitadinha, que se apresenta sempre a choramingar com a vida e que a mínima coisa pôe-na de rastos, mas que nunca soluciona nada e está sempre á espera que, mágicamente, e sem mexer um dedo, que as coisas se componham - dá-me urticária.

4 - Heróis ou heroínas á prova de tudo - parecem arraçados de Super-Homem: a coisa pior que lhes possa acontecer, nunca lhes quebra o otimismo, quase a roçar a esquizofrenia. Irreal, para mim. E muito irritante de ler.


5 - Livros onde os diálogos estão confusos - ou seja, aqueles que tenho que ler por 2 e 3 vezes para perceber quem diz o quê a quem. Pior ainda se forem com personagens com nomes iguais ou parecidos.

6 - Pais ausentes - sério! Temos adolescentes e....onde andam os pais deles, que nunca aparecem? Parece que foram criados com os lobos. Também irreal, pelo menos para mim e através da minha lente "maternal".

7 - A inevitável história de amor entre protagonistas - muitas vezes é só porque sim - mais um engenho para entreter o leitor, numa história "morna".

8 - Letras e margens pequenas - é como se fosse um muro de palavras, a virem na minha direção: torna-se fastidioso de ler.

9 - O "enche chouriços" - o autor anda à roda e à roda para encher páginas - será que recebe quantas mais escrever? - para, no final, o mesmo podia ter sido dito com metade. Fico com a sensação que andaram a desperdiçar o meu tempo.

10 - O cliché do patinho feio - o antissocial, feio, gordo, borbulhento e mais que seja, que é gozado pelos populares do sítio e que, de repente - lo and behold: tem uma transformação a 180º! Toda a gente se quer dar com ele, sair com ele, namorar com ele, estar em redor dele. Tão mau que me faz revirar os olhos.


 E vocês - quais são os vossos ódios de estimação? Contem-me tudo eu vou adorar ler!

Kisses da vossa Geek

domingo, 9 de abril de 2017

Video novo no canal

Mais um Casual Geek onde falo entre outras coisas de leituras que duram mis tempo que o expectável... mas porque gostamos.



Kisses da vossa Geek

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Opinião


O Livreiro de Paris

Antes de começar, devo dizer que este livro é um dos mais singulares que já li na minha vida. Não é de fantasia, para ter o dragão ou heroína de serviço, e no entanto é tão diferente que me levou mais de uma semana para ler as suas 300 e poucas páginas. Vamos descobrir porquê?

A história toda começa e termina em Jean Perdu, um livreiro, que tem um barco-livraria atracado no rio Sena há 20 anos. Ele não é um livreiro comum - apenas vende os livros que condizem com os clientes que entram no seu Lulu (é o barco). Aliás, é ambição dele fazer uma espécie de farmacopeia literária em que sintomas como mal de amor, ansiedade, demasiado realismo são "curados" através da leitura de determinadas obras.

"Leia isto. Três páginas todas as manhãs, deitado, antes de tomar o pequeno-almoço. Deve ser a primeira coisa que entra dentro de si. Depois de algumas semanas já não se vai sentir tão ferido."

Mas se Jean Perdu é muito bom a ler os outros e a resolver-lhes as maleitas, o mesmo não se pode dizer acerca de conseguir dar um rumo á sua vida.

No dia em que uma nova vizinha vai morar para o prédio de apartamentos nº 27 da Rue Montagnard, há uma revolução que se vai começar a germinar e que irá culminar com Jean - e todos os intervenientes - a se conhecerem melhor a si mesmos. Vai ser uma viagem ao interior de cada um. Vai haver perguntas, que vão sendo respondidas à medida que outras perguntas vão surgindo.

Não quero revelar muito mais do enredo em si, pois eu sabia muito pouco ao começar a leitura e penso que, para se apreciar o livro na sua plenitude, é necessário passar pelas suas variadas etapas, sem stresses, sem pressa e a saborear.
Como disse, levei mais de uma semana a completar a sua leitura, não porque me estivesse a desagradar, mas pela sua singularidade  e pelo facto de nos trazer sons, cheiros e imagens tão vivas que parece que estamos lá. Viajei para França através das páginas deste livro, senti o Mistral na cara, cheirei a lavanda nos campos, a vida buliçosa de Paris....e por isso, não me queria despedir do livro.

Esta narrativa é também uma ode aos livros e á leitura - basta que a personagem principal é um livreiro e leitor convicto. São imensas as passagens onde ele refere livros e personagens.

"Nº 14: Clarisse Menepeche. Que alma mais terna num corpo tão pesado! Adorava a guerreira Brienne das Crónicas de Gelo e Fogo"

A escrita é linda, poética, evocativa - conseguimos ver tudo com os nossos próprios olhos, o que me surpreendeu imenso.
Esta foi uma obra que degustei devagar, que li e meditei sobre ela. É certo que tem uma premissa invulgar, mas ao mesmo tempo tão positiva e indutora de calma e tranquilidade, que tantas vezes é necessária na nossa vida.
Deixo-vos com um último excerto.

" Ler. Uma viagem sem fim. Uma longa, no fundo, eterna viagem, no decorrer da qual uma pessoa se vai tornando mais benévola, mais amante e amável."

Kisses da vossa Geek

domingo, 2 de abril de 2017

Wrap Up Historiquices Março

As Irmãs Brontë

Vídeo onde explico o que li e vi para ficar a conhecer melhor estas grandes figuras da literatura mundial.


Kisses da vossa Geek

quarta-feira, 29 de março de 2017

Dois por Um

Gabrielle Chanel

Livro Mademoiselle Chanel de C. W. Gortner

e

Filme "Coco Avant Chanel"

Decidi juntar estas duas vertentes da vida de Gabrielle Chanel, não porque o filme tenha sido feito a partir do livro ou vice-versa; apenas que o filme, que vi há anos atrás, e com certeza alguns anos antes de o livro ser escrito, retrata fielmente a vida e obra de uma das mulheres mais influentes do século XX.

Para quem desconhece por completo as origens desta grande mulher, pode-se dizer que ele teve uma infância conturbada, onde a sua mãe, solteira e com 5 filhos para criar, era deixada sozinha pelo pai por longos períodos de tempo, pois o ele era vendedor e andava de cidade em cidade.
A mãe morreu quando Gabrielle tinha 12 anos e o pai não se quis ocupar de nenhum dos filhos: as meninas foram para o convento de Aubazine, enquanto que os rapazes ficaram a trabalhar numa quinta.
Possivelmente, esta sensação de abandono e pobreza extrema fizeram com que Gabrielle inventasse uma vida para ela, em que não estaria patente o desprezo a que ela e a sua irmã Júlia, ambas internadas nas freiras, foram votadas.

"A minha vida não me agradava, por isso resolvi criá-la"

Esta é a frase de abertura de um livro extraordinário sobre esta mulher avant gard, esta mulher que nasceu antes do tempo em que poderiam entender a sua mente e as suas atitudes.
Em seguida a sair de Aubazine, Gabrielle e a sua irmã ainda ficam mais 2 anos em regime de pensionistas, num outro mosteiro para meninas, em Moulins, perto de alguns familiares da parte do seu pai. Após esses 2 anos, e já uma reputada costureira e bordadeira, ela e a sua tia mais nova Adrienne vão trabalhar para uma maison, especializada em enxovais de noivas. Mas o pagamento é tão pouco que Gabrielle começa a cantar no café La Rotonde, e a canção que mais a celebrizou foi a que lhe deu o seu diminutivo  - Coco - por causa da canção "Qui qu´a vu Coco dans l´Trocadéro". O café  e as suas aparições foram onde ela conseguiu seduzir um jovem socialite chamado Étienne Balsan, que regressava da guerra para o château da família, em Compiégne.
Ela tornou-se sua amante e ele deu-lhe acesso á alta roda francesa e deu-lhe ainda a conhecer o grande amor da sua vida: Arthur Capel ou Boy para os amigos, um milionário inglês que foi o primeiro a apostar no seu primeiro negócio - uma loja de chapéus.
Gabrielle amava perdidamente este homem e, apesar da grande mágoa de ele se casar com uma daquelas senhoras "com 3 nomes" (designando as senhoras da aristocracia), eles mantiveram uma relação intermitente, que durou até à morte dele, num acidente de carro.
Por esta altura, Coco já era bastante conhecida em Paris e das mais famosas revistas de moda francesas, portanto ela decidiu expandir o seu negócio para a roupa, primeiro desportiva e de praia.
A nível pessoal, nunca foi casada nem nunca tal entrou nos seus planos, mais uma vez, pelo trauma de não conseguir confiar em ninguém a 100%, sem ser nela própria.
Como última curiosidade, ela foi a única estilista francesa que fechou   o seu atelier, ou seja não produzia coleções, durante a ocupação alemã de França, o que lhe valeu algumas suspeitas por parte dos alemães do Reich.

A nível do livro em si, já não é a primeira experiência com este autor e considero-o mesmo um dos melhores em romance histórico, atualmente. A escrita, o estilo de narrativa em primeira pessoa e o ritmo que ele imprimiu, contribuíram para uma leitura viciante e frenética, pois há muitos aspetos da vida desta grande senhora que me eram completamente desconhecidos e que, aqui, ganharam vida e sentimento.
Tem descrições lindas de Paris e das suas festas nos loucos anos 20, da cena intelectual e artística - ela era amiga de Picasso, Sergei Diaghilev, Jean Cocteau, entre outros. Fala também da sua incursão nas drogas, sempre bastante controlada e dos seus amantes - alguns.
O tom da vida desta mulher, se quisesse ser descrito em uma única palavra será moderação. Menos no trabalho, que era o seu centro de tudo. Mas, em tudo o resto, ela sabia ser moderada e ponderada, fria e calculista. Nunca deu um passo maior que a perna e isso fez com que contruísse um império, ainda hoje reconhecível.

O filme retrata exatamente o que li. Foram muitas as vezes que li o livro e revia na minha mente cenas especificas do filme. A fotografia está linda, a atuação da Audrey Tautou está no ponto e dá vontade de voltar àqueles anos loucos e viver um pouco aquilo que ela viveu, para perceber em que matéria ela foi moldada.
Em termos de biopic, é um dos melhores que já vi. Não sai do tom, não glorifica, mas também não arrasa com o seu sujeito principal, portanto recomendo vivamente para quem queira ir a Paris, ir ao centro de um turbilhão de criatividade e perceber como funciona (ainda) o mundo da moda. Porque, aí, nada mudou desde essa altura...

Kisses da vossa Geek