domingo, 12 de fevereiro de 2017




Video de Wrap up do projeto Historiquices de Janeiro


Pois bem meus geeks, estreei-me em vídeo, no Youtube, pois penso ser mais orgânico falar sobre o que vi e o que li sobre as personagens históricas abordadas.

Link do vídeo aqui

Kisses da vossa Geek

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Oscares - prémios justos ou muito PC?


Em mês de entrega dos prémios da academia, vejo por todo o lado - fóruns, páginas e chats a mesma discussão: a nomeação do filme X em detrimento do Y ou do actor A em vez do B, bem melhor. E ninguém chega a acordo do porquê a academia nomear uns e claramente deixar outros de fora.
É lógico que tudo isto é subjectivo, uma vez que são coisas sujeitas a gosto pessoal, portanto não havendo nem certos nem errados - apenas gostos diferentes.
Mas qual é o processo pelo qual a Academia chega aos nomeados? Aí é que bate o mistério, pois se há nomeações geral e quase unânimemente bem aceites, outras há que vão contra a opinião do público, parecendo ser nomeações que eu chamo de "intelectuais" - mais ninguém gostou, apenas o crítico que lá pôs o nome do actor/actriz ou o título do filme.

É nesta altura que sempre vem à baila que a Academia está a ser politicamente correta. Aliás, quando não se entende as nomeações é logo essa definição que é utilizada. 
Confesso que, por vezes, também acho isso. Vê-se um esforço de Hollywood em criar tendências, em ser justo, igualitário, fraterno - um nadita como a Revolução Francesa! - mas, que deixa quem não concorda, com a sensação de que houve jogada de bastidores. E claro que há sempre, pois os estúdios ainda dão cartas e influenciam sempre as decisões. Um filme, nem que seja só nomeado para um Óscar, é garantia de dinheiro em caixa, portanto há que recorrer a todas as influências para que se possa chegar aos poucos nomeados.

Já falei em cima na questão de que a Academia tenta mudar a sociedade, impondo tendências através dos seus filmes vencedores da cobiçada estatueta. Não foi há muito tempo que a Academia recebeu a dura critica de ser "muito branca" e desde esse altura, os actores afro-americanos têm sempre um destaque nas nomeações, quer achemos que são merecidas ou não.  

Isto comprova a necessidade que há em que não apenas sejam nomeados os merecedores, como também que haja uma clara propensão para nomear os pertencentes à causa advogada no momento. Quer tenham tido papéis ou filmes dignos dessa grande honra.

Na minha opinião pessoal, exemplos de politicamente correcto ou de Óscar de consolação foi o vencedor do prémio para o melhor actor principal do ano de 2016. Leonardo Di Caprio teve um papel muito exigente n´O Renascido, mas considero de menor complexidade em relação a outros nomeadamente n´O Aviador, Shutter Island ou Inception. Possívelmente, se tivesse ganho num dos outros anos, não seria tão gritante esta decisão.

Na edição deste ano, um filme que considerei um dos melhores, quase nem foi mencionado - passou totalmente ao lado dos nomeados - e sem razão que se consiga apontar. Mas lá está - a Academia decidiu, está decidido.

Como este exemplo que dei, muitos outros aconteceram, também pela razão da quantidade de filmes produzidos num ano. 
Segundo um estudo que li, neste momento o número de estreias que ocorrem num único fim-de-semana, nos Estados Unidos, equivale a 1 ano de estreias nos anos 40/50. Portanto, em razão disso, há-de haver sempre aqueles que passam por "debaixo do pano" sem serem notados, apenas por quem os viu.


Por isso cada vez prefiro mais os prémios europeus. Por terem filmes de excelência, que têm o devido destaque e não uma quase menção honrosa no Grauman´s Chinese Theater. 

Kisses da vossa Geek

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Wrap up Janeiro #historiquices

Inês de Castro

Adorei ler mais um livro sobre esta apaixonante história de amor e ficar a conhecer pormenores, que não me foram transmitidos pelas aulas de história.
Fiquei a perceber melhor o porquê de o Rei Afonso IV ter tomado a decisão extrema que tomou. Além de perigo político  - real ou imaginário - havia também uma certa quezília pessoal. Inês tinha sido criada por um filho natural (diga-se bastardo) de D. Dinis, e um que o rei preferia tanto, que chegou a fazê-lo mordomo do Reino, um alto cargo que seu filho Afonso viu como ameaça á sua herança.
Inês é uma fidalga de pleno direito, apesar de ser filha ilegítima de D. Pedro Castro, sendo ela neta do Rei de Castela, tal como o seu apaixonado Pedro.
Pedro, que sempre respeitou sua mulher Constança, mas apaixonou-se pela "bela Inês" com o seu colo de garça. Ficou sériamente afetado, como seria de esperar, com a ação de seu pai e resolveu punir a quem a matou e ao mesmo tempo,  fazê-la coroar rainha depois de morta.

Fiquei surpreendida com a escrita da autora, que é cuidada, muito à época e que, ao mesmo tempo, nos envolve na trama.
Dá um background de cada um deles e da sua infância, até ao momento em que se conhecem. Pode-se dizer que há uma 1ª parte e uma 2ª parte.
A 1ª parte é muito mais factual, enquanto fala da infância de Inês, de Pedro e da D. Constança, a partir do momento em que Inês vai para o serviço dela. Fala muito de linhagens, terras, fortificações e toda uma parte da história de Castela, Aragão e Portugal.
Gostei imenso e aí fiquei completamente imersa na história que, ao fim e ao cabo, não é novidade nenhuma e tem um desfecho previsível.
Mas a capacidade da autora de nos entregar a informação relevante, a maneira de nos contar um evento que já sabemos, de uma maneira que parece nova, revela a sua mestria.
Fiquei uma fã e irei certamente ler mais livros desta autora.

Como já tinha visto quer a série quer o filme, decidi ver o documentário do meu saudoso Prof. José Hermano Saraiva. Este senhor tinha uma maneira de contar as "estórias da História", que ainda não encontrei igual.
Aqui, neste documentário bastante curto, dá-nos as razões porque Inês "teve" que morrer. Explica a par e passo todas as intrigas palacianas em redor desta morte, que, na minha opinião, foi lamentável. E ainda introduziu uma teoria, que me fez ficar a pensar onde a conseguir encaixar. Gosto imenso de teorizar sobre eventos passados e o Prof deu-me matéria para isso.

Neste momento, quero agradecer a todas as pessoas que aceitaram o meu desafio e que estão a participar neste projeto que se quer diverso, mas com um foco: histórias de grandes mulheres.
O meu muito obrigada e bem-haja


Kisses da vossa Geek



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

As Minhas Fitas #2

"Um Caso Real" ( A Royal Affair)


Este filme de 2012, uma co-produção entre Alemanha, Dinamarca, Suécia e Republica Checa, conta a historia real da rainha Caroline Mathilde da Dinamarca. Ela era uma princesa inglesa que foi casar com o Rei Christian VII, claramente com perturbações mentais. 
À sua madrasta, Julianne, convinha que ele não se comportasse como um rei, pois queria pôr o seu meio-irmão no trono, ficando ela como regente. Christian é um fantoche na mão do seu conselho privado.

Caroline parte com ilusões de amor e de um marido compreensivo, mas a realidade choca com o que ela pensava que iria ser a sua vida de casada. Apesar de ser um casamento arranjado, onde o amor não é para aqui chamado, ela construiu uma imagem a partir do que os conselheiros de Christian disseram aos seus pais, aquando do noivado e respetivo contrato de casamento. Ela vê-se num país estranho, com gente estranha e não muito amigável e o  que é pior - o seu marido é dado a explosões temperamentais repentinas,  prostitutas, álcool e devassidão no geral. Ela prepara-se para sofrer em silêncio - ou tão silenciosamente quanto possível - com o seu primogénito Fredrik.


Eis que o jogo se altera com a entrada em cena do Dr. Johann Struensee, um médico avançado para a sua época, que conseguiu compreender o que Christian precisava e conseguiu estabilizá-lo.


Mas, ele é um homem do Iluminismo, numa altura em que ser Iluminista queria dizer ideias progressivas, normalmente relacionadas com uma certa agitação política (que mais tarde, iria conduzir à Revolução Francesa) mas, que quando o filme começa ainda são só tidas por ideias subversivas. Ele tem livros proibidos, que começa a emprestar à  rainha. Ela, a principio desconfiada e nada apostada em dar confiança àquela personagem, acaba por amolecer, mais por causa da sua solidão, e ao compreender o tipo de poder que aquele homem tem sobre o seu marido.


Então, ela e Struensee, começam a industriar Christian para que, a coberto do que ele pensa ser por sua iniciativa, ele comece a implementar as mudanças políticas e sociais de que o país necessita desesperadamente.
E no meio desse processo, eles apaixonam-se. Vai ter consequências nefastas para todos, mas penso que o final foi redentor. É um filme onde se vê muito bem os meandros do poder, pela parte de quem o exerce e por quem o quer vir a exercer.


Com interpretações fantásticas de Alicia Vikander e de Mads Mikkelsen, este filme europeu tem toda a qualidade e sensação "europeias" - excelência nos  diálogos e atuações fabulosas onde mais do que o bom aspeto dos atores, conta a sua capacidade de "vestir" a personagem e levá-la mais além. Sentimos tudo: as humilhações de Caroline, as incertezas, a solidão, mais tarde a paixão, a sensação de poder e depois de perda.
Um pedaço interessante de trivia: Alicia Vikander teve que aprender dinamarquês e todo o filme foi rodado desta língua, apesar da língua que a corte usava nesta altura seria o alemão. O dinamarquês era considerado a língua do povo.


E vocês - já viram? Digam-me tudo.


Kisses da vossa Geek

domingo, 29 de janeiro de 2017



Opinião O Labirinto dos Espíritos



"A maior parte de nós, os mortais, nunca chega a conhecer o seu verdadeiro destino. Somos apenas atropelados por ele. Quando erguemos a cabeça e o vemos afastar-se pela estrada já é tarde, e o resto do caminho temos de fazê-lo pela valeta daquilo a que os sonhadores chamam a maturidade. A esperança não mais é do que a fé em que esse momento não tenha ainda chegado, que consigamos ver o nosso verdadeiro destino quando se aproximar de nós e saltar para bordo antes que a oportunidade de sermos nós mesmos se desvaneça para sempre e nos condene a viver de vazio, com saudades do que devia ter sido e nunca foi."



Como começar a opinião de um livro de 848 paginas, que não me deixou "pousada" um instante que fosse?


As emoções foram muitas, neste que é o último livro da (agora) tetralogia O Cemitério dos Livros Esquecidos. Foi um livro intenso, cuja ação não pára de nos dar voltas e twists vários e cuja escrita do autor nos envolve totalmente no ambiente de Barcelona, de finais dos anos 50.


Temos uma breve introdução, que nos vai situar em finais dos anos 30 e com o bombardeamento de Barcelona, altura em que Alicia Gris, uma criança perdida, é gravemente ferida.
A ação depois desloca-se para finais dos anos 50, acompanhando os Sempere, que nesta altura já tem o avô Sempere, o Daniel e a Bea casados e o pequeno Julián, nomeado como o autor do livro A Sombra do Vento, o qual propiciou os seus pais se conhecerem.
Em Madrid, acompanhamos Alicia e o seu mentor, Leandro Montalvo, naquilo que se poderia chamar os primórdios de um serviço de espionagem. Ela e Leandro ,em conjunto com outros agentes, trabalham na sombra para que a Espanha do Generalíssimo não se desintegre mais depressa do que seria expectável.


Tudo começa com o desaparecimento misterioso do ministro Maurício Valls, pessoa muito querida do regime. Ele desaparece um dia, deixando a sua filha Mercedes com um recado ininteligível e a sua esposa gravemente doente. Alicia e Leandro vão ser postos na pista do ministro, para perceber o que se passou e mais importante ainda - recuperá-lo com vida.


Com uma mudança de cenário para Barcelona começa, mais uma vez, o enredo a centrar-se no Cemitério dos Livros Esquecidos. Esse local mágico, onde todos os livros em perigo de desaparecerem encontram o seu lugar e protetor. É claro que os Sempere vão estar no centro da ação, com Alicia Gris, uma femme fatale com vingança no pensamento e rancor no coração, com Fermín Romero de Torres com a sua famosa verborreia, a sua Bernarda e todos os que moram nas redondezas da livraria Sempere e Filhos.
É uma narrativa que vai ter como livro de partida Ariadna e o Príncipe Escarlate de Vitor Mataíx, outro dos autores malditos daquela Barcelona dos anos 20/30,  um grande amigo de David Martín e que acabou por ser também seu companheiro de cela.


Este é um livro que nos faz devorar todas as páginas com igual interesse, não havendo momentos mortos nem quebras de ritmo, o que para um livro tão extenso até seria normal. É aqui que os grandes escritores se distinguem - quem consegue prender a atenção de um leitor sem se perder pitada de emoção ao longo de mais de 800 paginas tem que ser um escritor de exceção.
A escrita de Carlos Ruiz Zafón é como sempre clara, concisa e direta mas com o seu toque de sarcasmos e humor negro que acho delicioso.


" Que se afaste ou ver-me-ei na dolorosa necessidade de catapultar-lhe o saco escrotal até ao pescoço com uma joelhada"


Esta citação, entre muitas que poderia pôr da minha personagem mais querida, que é claro Fermín Romero de Torres, ilustra bem o tipo de humor e linguagem utilizada pelo autor. Mas todos, em maior ou menor grau são igualmente inteligentes. Os diálogos são fluidos, cheios de vivacidade que dá vontade de conhecer aquelas pessoas na vida real.
As personagens são ricas, densas, torturadas, com segredos, vergonhas, triunfos, baixezas - tudo o que o ser humano experiencia na sua vida.

Também a descrição de Barcelona e dos seus ambientes, nos transporta até lá de tal maneira que sentimos os cheiros, vemos as cores, andamos pelas Ramblas, subimos na Avenida Tibidabo e isso é uma absoluta delícia.


E vocês, já leram este livro? O que acharam?


Kisses da vossa Geek