quarta-feira, 5 de abril de 2017

Opinião


O Livreiro de Paris

Antes de começar, devo dizer que este livro é um dos mais singulares que já li na minha vida. Não é de fantasia, para ter o dragão ou heroína de serviço, e no entanto é tão diferente que me levou mais de uma semana para ler as suas 300 e poucas páginas. Vamos descobrir porquê?

A história toda começa e termina em Jean Perdu, um livreiro, que tem um barco-livraria atracado no rio Sena há 20 anos. Ele não é um livreiro comum - apenas vende os livros que condizem com os clientes que entram no seu Lulu (é o barco). Aliás, é ambição dele fazer uma espécie de farmacopeia literária em que sintomas como mal de amor, ansiedade, demasiado realismo são "curados" através da leitura de determinadas obras.

"Leia isto. Três páginas todas as manhãs, deitado, antes de tomar o pequeno-almoço. Deve ser a primeira coisa que entra dentro de si. Depois de algumas semanas já não se vai sentir tão ferido."

Mas se Jean Perdu é muito bom a ler os outros e a resolver-lhes as maleitas, o mesmo não se pode dizer acerca de conseguir dar um rumo á sua vida.

No dia em que uma nova vizinha vai morar para o prédio de apartamentos nº 27 da Rue Montagnard, há uma revolução que se vai começar a germinar e que irá culminar com Jean - e todos os intervenientes - a se conhecerem melhor a si mesmos. Vai ser uma viagem ao interior de cada um. Vai haver perguntas, que vão sendo respondidas à medida que outras perguntas vão surgindo.

Não quero revelar muito mais do enredo em si, pois eu sabia muito pouco ao começar a leitura e penso que, para se apreciar o livro na sua plenitude, é necessário passar pelas suas variadas etapas, sem stresses, sem pressa e a saborear.
Como disse, levei mais de uma semana a completar a sua leitura, não porque me estivesse a desagradar, mas pela sua singularidade  e pelo facto de nos trazer sons, cheiros e imagens tão vivas que parece que estamos lá. Viajei para França através das páginas deste livro, senti o Mistral na cara, cheirei a lavanda nos campos, a vida buliçosa de Paris....e por isso, não me queria despedir do livro.

Esta narrativa é também uma ode aos livros e á leitura - basta que a personagem principal é um livreiro e leitor convicto. São imensas as passagens onde ele refere livros e personagens.

"Nº 14: Clarisse Menepeche. Que alma mais terna num corpo tão pesado! Adorava a guerreira Brienne das Crónicas de Gelo e Fogo"

A escrita é linda, poética, evocativa - conseguimos ver tudo com os nossos próprios olhos, o que me surpreendeu imenso.
Esta foi uma obra que degustei devagar, que li e meditei sobre ela. É certo que tem uma premissa invulgar, mas ao mesmo tempo tão positiva e indutora de calma e tranquilidade, que tantas vezes é necessária na nossa vida.
Deixo-vos com um último excerto.

" Ler. Uma viagem sem fim. Uma longa, no fundo, eterna viagem, no decorrer da qual uma pessoa se vai tornando mais benévola, mais amante e amável."

Kisses da vossa Geek

9 comentários:

  1. Gostei bastante da tua opinião e deixaste-me muito curiosa com o livro =)
    Beijinhos

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    1. É um livro acima de tudo sensorial. Vais gostar!
      Beijinhos

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  2. Oh pah, a sério... adoro a forma como escreves :) és das poucas pessoas que leio e escreve um texto com qualidade do princípio ao fim.
    Fizeste-me ficar curiosa em relação ao livro.. acho que seria uma leitura que tb eu iria gostar. Bota pá wish :D
    * Blog mary red hair *

    *Canal mary red hair*

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    1. Olha agora fizeste-me corar😚 Muito obrigada mesmo pelas palavras!
      Eu acho que irás gostar sim - é uma leitura "bonita" se assim posso chamar.
      Beijinhos

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  3. Fiquei muito curiosa com este livro. Só oiço falar bem dele.
    Tenho mesmo que o ler.
    Beijinhos e boas leituras

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    1. Eu já ouvi falar bem e mal deste livro - opiniões dispares. Mas lê que só a ler retiras aa dúvidas.
      Beijinhos e boas leituas também

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Vi hoje o teu vídeo em Budapeste (ai que fina) e gostei de te ver super entusiasmada com este livro.

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    1. Mais que finesse que para aí vai. Mas sim - muito entusiasmada!

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