sábado, 27 de maio de 2017

Os novos fenómenos de escrita

Como sou nova nestas andanças de blogues e páginas literárias, há umas semanas dei comigo, numa cena mais ou menos familiar a todos nós: o mindless scroll pelo feed do Facebook. E, no clicar de um link de um amigo de um amigo de um amigo (ad aeternum), reparei num fenómeno, tipo corrente subterrânea, que não conhecia.
E esse fenómeno é páginas de escrita, que mais tarde viram livros.

Como se começa? Simples. Começa-se por ter uma página pessoal, onde vai fazendo uns posts, as pessoas começam a seguir  em massa, com isso veêm muitos "gostos" e em última análise, há uma editora que se dispõe a pôr todos aqueles escritos ( e outros), num livro físico e a vender. Foi isto que retirei desta minha pesquisa.
Não critico nada nem ninguém , porque ao fim e ao cabo - quem sou eu para criticar? Tudo acaba por ser uma expressão artística e quem gosta, gosta;quem não gosta, não lê.

Apenas me chamou a atenção o processo para chegar até à publicação do livro. Todos temos na ideia o cliché do escritor enfiado num escritório, ou num sótão bafiento, sozinho, a criar, escrever e reescrever, a levar muitos "nãos" até ser, finalmente editado, e, quando isso acontece, os primeiros livros têm normalmente vendas modestas, até conseguir ter um público fiel.
Na era das redes sociais, este paradigma inverteu-se: o escritor (ou futuro escritor) já parte para a editora com uma base de fãs que não é de desprezar, pois já vi livros com as pré-vendas esgotadas. Pode-se dizer que o "cavalo" em que a editora aposta já é ganhador, pois (quase) toda a gente que segue essa página, irá comprar o livro físico. Não há grandes riscos aí - todos ganham: o autor, porque já tem um público fiel; a editora, que consegue fazer um cálculo aproximado do que irá vender e o público, porque pode ter o livro físico.
Serão estes os "novos" autores? Estou a pensar numa escala mundial....será esta a nova maneira de cativar os leitores e ter a certeza que os livros vendem?

Kisses da vossa Geek

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Desafio Literário
Um Ano Com a Jodi

Este é um projeto de leituras conjuntas organizado pelo canal da Dora, o blog da Isaura Pereira e o meu blog.

Como sabemos, a Jodi Picoult é uma escritora prolífica, daí termos decidido ler um livro por mês, fazendo um chat individual para cada livro, partilhando as experiências de leitura.
Todos os meses, anunciamos qual vai ser o título escolhido para iniciarmos no dia 1 do mês seguinte, de modo a que, quem se quiser juntar a nós, tenha tempo de arranjar o livro e programar as suas leituras.
Para o mês de Junho e no dia 1, arrancamos com a leitura do Compaixão.

Quem se vai juntar a nós? Digam nos comentários.

Kisses da vossa Geek

terça-feira, 23 de maio de 2017

Opinião


O Ano da Dançarina

Entrei para este livro, sabendo apenas um pouco da sinopse e o muito que gostei da leitura de outro livro desta autora, Alma Rebelde.

Este é um romance histórico centrado no ano de 1918, em Portugal, durante o governo de Sidónio Pais, e ainda durante a razia que a pneumónica fez, num país atrasado sob todos os aspetos, enfraquecido com milhares de homens na frente francesa, fraco de mentes e de costumes.
Acompanhamos a família Lopes Moreira, de grandes posses e mais particularmente Nicolau, o primogénito da família, cuja desilusão amorosa o leva a listar-se impensadamente no Exército e, da qual volta, com uma deficiência permanente e com um trauma de guerra imenso para domar.
Ao mesmo tempo, vemos as tensões entre os sindicatos e o Governo escalarem de nível, a par com o começo da luta pela igualdade entre sexos, na pessoa de Bernarda e Eunice, irmãs de Nicolau e ainda de Cecília, uma "repórter" contratada por Bernarda.
A escrita foi me puxando devagar, mas sempre empolgante, durante a primeira metade do livro, e desse ponto para a frente, foi viciante e praticamente só larguei quando acabei. É uma escrita fluída, bonita, com detalhes mas não exaustivos, de modo a que fiquemos perdidos nas descrições. Tudo com conta, peso e medida, o que me agradou muito, pois num cenário tão rico, podia haver a tentação de cair em descrições demasiado extensas, que quebrariam o ritmo da narrativa. Tudo tem o seu lugar, propósito e dimensão certa.
Todos os personagens estão bem caracterizados e não são nada estereotipados. Acima de tudo, temos um retrato de sociedade fiel, bem feito, cheio de pormenores que o trazem á vida, tal como o contraste entre os muito ricos e abastados, banqueteando-se e divertindo-se noite fora pelos clubes noturnos e o povo, que mal tinha dinheiro para o pão nosso de cada dia. Enfim, as idiossincrasias deste nosso país, que tem condições fabulosas para viver, mas onde há gente que passa tão mal....
Para quem gosta de ficção histórica ou ainda de uma história bem contada, de uma autora portuguesa a ter em conta.

Kisses da vossa Geek

domingo, 21 de maio de 2017

Projeto Historiquices
Junho
Pearl S. Buck

Chegámos ao meio do ano! Passou depressa.

Para este mês de Junho, escolhi uma escritora acerca da qual, não vejo grande hype em volta. Uma mulher que ganhou um Pulitzer e um Nobel.

Pearl Sydenstricker Buck nasceu em Hillsboro,  West Virginia e aos 3 nos de idade, os seus pais missionários foram viver para a China, levando-a com eles. Ela praticamente viveu toda a sua adolescência nesse país e ficou grandemente marcada por ele. Aos 15 anos, trabalhou num abrigo para mulheres escravas e prostitutas, o que fez com que a cultura chinesa, as suas ideias acerca da posição das mulheres, o ambiente quase medieval que se vivia à época, se refletisse mais tarde, nas suas obras.
Foi estudar psicologia para os Estados Unidos e, depois de se formar, voltou à China, para ensinar numa escola: casou e viveu lá, até á Guerra Civil, quando foi evacuada para o Japão, e daí para a América. Ela nunca mais foi autorizada a voltar à China, o que muito a desgostava. O governo chinês sempre recusou os pedidos de visto, alegando que ela era uma "agente imperialista".
Sendo amiga da Primeira-Dama Eleonor Roosevelt, e, muito antes de sequer se ouvir falar em movimentos de direitos civis, já ela tinha fundado um movimento, que advogava igualdade de direitos para as mulheres e igualdade racial.
Pearl S. Buck foi uma escritora muito prolífica, escrevendo desde romances, contos, não-ficção e programas de rádio. A maioria dos seus livros foram adaptados para filme.
A cultura chinesa sempre foi bastante focada nas obras dela, sendo a Flor Oculta tida como  a "tradução" para livro da ópera Madame Butterfly, pois o enredo tem as mesmas questões e os mesmo temas a serem focados.

Livros










quarta-feira, 17 de maio de 2017

Opinião

A Vegetariana

Yeong-hye é uma mulher jovem, totalmente mediana, que vive uma vida mediana, tem um marido mediano e nada de especial se passa. Até ao dia em que ela tem um terrível pesadelo e torna-se vegetariana, de um dia para o outro. O marido dá com ela no dia seguinte, a esvaziar o frigorífico de todo e qualquer alimento de origem animal.
Mas ela não pára aí.
Depois de a forçarem a comer, ela retrai-se cada vez mais para o seu interior, deixando apenas a casca vazia do seu corpo, cada vez a definhar mais.

Este é o mote para um livro surpreendente, bizarro, estranho mas ao mesmo tempo tão compreensível.
A escrita é nua e crua: tudo o que a autora quis passar, fê-lo claramente com as suas 190 páginas, onde todas as palavras têm o seu lugar e a sua função. Não há hipérboles, nem descrições extensas. Tudo direito ao cerne da questão. Gostei imenso de ser confrontada, sem filtros, pela crueza da vida e das circunstâncias.
Nunca temos acesso ao que a protagonista pensa - o livro está dividido em 3 partes, onde são outras pessoas (o marido, o cunhado e a irmã) que contam a história, a partir da altura em que ela se tornou vegetariana e como evolui a sua vida, a partir desse momento. Apenas na parte do marido temos alguns excertos onde ela fala, principalmente dos sonhos que a assolam.

Este livro tem uma forte carga sociológica, pois está totalmente enraizado na sociedade coreana, que, para mim, ainda é um pouco estranha, apesar de ter noção que é altamente patriarcal. E machista. As mulheres são coisas, decoração, força de trabalho, mães, mas nunca são realmente ouvidas - só têm deveres e obrigações e nunca direitos. E penso que foi isso, mais que tudo, que levou Yeong-hye a querer controlar algo: o seu corpo. O que comia e como o tratava. Foi como se a sua mente se revoltasse contra todas as injúrias, humilhações e esquecimentos a que ela estava votada e decidisse que era altura dela ter algo para si, decidido por si.
O que para mim ainda tornou o livro melhor, foi que, partindo deste ponto, podemos ver todas as outras pessoas que foram afetadas, refletirem sobre a sua própria vida, os seus desejos, angústias secretas, luxúria, dever e honra. E no fundo, para onde vão na sua vida, em que direção se encaminham. Yeong-hye foi como que um catalisador para essas reflexões.

Kisses da vossa Geek

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Vídeo no canal

A Quente



Esta foi uma rúbrica que criei para dar opiniões do que quer que me tenha dado uma emoção forte - positiva ou negativa - sobre tudo: livros, filmes e series.

Espero que gostem

Kisse da vossa Geek
II Encontro do Clube dos Clássicos Vivos


Como a própria imagem indica, vai ser na nossa muito querida Feira do Livro de Lisboa.

O ponto de encontro vai ser no Espaço Porto Editora entre as 10,30/11h do dia 4 de Junho. A discussão - já sabem: o livro A Boneca de Luxo, de Truman Capote.

Esperamos por todos vocês lá.


Kisses da vossa Geek

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Reflexões

Autores favoritos
Quase todos nós temos aquele autor ,ou conjunto de autores - em géneros diferentes, falando no meu caso - os quais compramos livros sem ler sinopses: é de fulano de tal ou sicrana de tal? Já está comprado!
Mas quanto deste comportamento é "são"? E não digo só por causa da carteira de um livrólico, que coitada, sofre estes rombos todos sem se poder queixar, mas sim - o quanto é que comprar automaticamente é racional?
Dou o meu exemplo específico: nos romances históricos, tenho como referência a Isabel Stilwell, em autores portugueses. Só me falta ler 2 dos livros publicados. Mas se pensam que não tive deceção nenhuma com ela, enganam-se: já tive. Mas não foi por isso que parei de comprar, ou que tenha relegado a autora para o final das minhas preferências. Pois apenas um deles não me agradou, e até atribuo isso ao possível pouco interesse que a personagem abordada tinha.
Depois de ler esse livro menos bom - que nem acabei, devo frisar - fui com algum receio para o próximo. Será que a "magia" tinha terminado? Não, não tinha. Li 2 livros em seguida e adorei cada um deles.
Num exemplo oposto, a minha referência a nível de históricos internacionais, era a Philippa Gregory - adorei a série Tudor, achei-a a um nível espetacular e a série Primos em Guerra achei a coisa mais básica de sempre, desinteressante - tanto assim foi, que não li mais nada além do 3º livro. Confesso que há alguns títulos dela que me chamam a atenção, mas tenho receio, depois das 3 desilusões em sucessão.
Há pessoas que compram tudo de determinado autor e, mesmo aquilo que toda a gente afirma que não prestou, dizem que é excelente e que está ao mesmo nível dos outros. Será cegueira por terem gostado tanto dos trabalhos anteriores? Ou simplesmente "os outros" estão apostados em deitar abaixo aquele autor, que tanto veneram?
A minha opinião é de que quando compramos "cegamente", é porque gostámos tanto de um livro em particular, que nos disse tanto, que queremos ter essa sensação de volta. E porque as sensações guardam-se no cérebro, tentamos replicá-las, para termos a mesma adrenalina e emoção.
Enquanto a sensação se mantiver, vamos achar esse autor o melhor e de nossa eleição - quando ele não nos fizer sentir o mesmo arrepio, como se estivessemos a ler pela primeira vez, é quando o iremos deixar de lado, talvez não em definitivo, mas passamos a comprar e a ler mais racionalmente.

E você - concordam? Não? Digam-me tudo nos comentários.

Kisses da vossa Geek

domingo, 7 de maio de 2017

As Minhas fitas #3


What Ever Happened to Baby Jane?
O que aconteceu à Baby Jane?
Este é mais um dos meus golden oldies. Vi-o à pouco tempo, para a #cineseraoexpresso, organizada pelo blog Serão no Sofá.

O filme começa em 1912, num espetáculo de Vaudeville - agora seria chamado de variedades - em que as pessoas apresentam os seus "talentos": cantar, dançar, engolir fogo, etc. Começamos por ver uma menina lindíssima, loira e adorável a cantar "I´ve written a letter do Daddy", que faz chorar as pedras da calçada. Mas à saída, a menina adorável transforma-se numa criaturinha mimada, desprezível, arrogante. Os pais dividem-se:
o pai adora a Baby Jane (é a menina loira) e a mãe fica a apoiar a irmã mais obscura, Blanche. O pai faz todas as vontades a Jane, tornando-a preguiçosa e má e a mãe tenta amenizar os sentimentos da irmã, dita "enjeitada".

Os anos passam e os papéis invertem-se: Blanche Hudson é uma estrela de Hollywood consumada, e a sua irmã Jane apenas faz filmes porque o contrato de Blanche assim o exige. Jane tem problemas com o álcool, o que faz com que os diretores e realizadores dos estúdios fujam de ter que trabalhar com ela.
Mas um grande acontecimento faz com que Blanche fique à mercê de Jane. Um acidente de viação torna-a paraplégica e, por conseguinte, dependente da irmã. Mas há imensos rumores acerca de como o acidente aconteceu: muita gente diz que foi Jane quem atropelou Blanche, num daqueles momentos de blackout bêbado. E ela, como não se lembra, assume o mesmo.
30 anos depois, a história tem um epílogo, que será o ponto central deste filme.

Por onde começar, com tanto talento no écran? Começo por dizer que a Bette Davis é uma das minhas atrizes favoritas do "antigamente", mas o talento nunca morre. 
Embora o filme tenha um mistério e seja, de certo modo sufocante - Blanche está como prisioneira em casa e a Jane é a sua carcereira
o ponto que mais destaco é os problemas entre as irmãs. O ressentimento mútuo, as mesquinhezas, até o ódio, contribuem para o desfecho desta trama.
Jane, sendo uma ex-criança prodígio, continua a viver na ilusão de que toda a gente se lembra de quem ela foi, lá bem atrás no tempo. A cena na redação do jornal é embaraçosa e bem demonstrativa disso.

Ela agarrou-se á sua antiga fama e na cabeça dela, nunca deixou de ser a Baby Jane, que as pessoas faziam fila para ir vê-la cantar e dançar. Nunca se conformou com o sucesso da sua irmã, a seus olhos, menos talentosa que ela. E não conseguiu lidar o ter que ficar na sombra dela e do dinheiro dela, pois a Jane "bebeu" todos os seus rendimentos.
Blanche, por seu lado, não é menos inocente, embora tenha feito de tudo para que a irmã não se sentisse tão inferior, que tivesse um lugar no mundo onde ela singrou. Mas manteve-a acorrentada a ela por tanto tempo, que ela rebelou-se. Ela não soube ver que a culpa não iria fazer a sua irmã gostar dela.
Mas ela é tão perturbada quanto Jane, embora parecendo uma vitima. O ressentimento pelo carinho e atenção que o pai lhe negou na infância, privilegiando a sua irmã, foi uma constante na sua vida e quando se pôde vingar, ela -lo.
Este é um filme com personagens complexas, sentimentos complexos, muita culpa. É um filme negro, tal como a sua fotografia a preto e branco. É um filme que nos faz pensar nos meandros da mente humana e como, a partir de um mal-entendido, se gastam vidas inteiras, anos e anos de sofrimento mútuo.


Mais recentemente, e, inspirado pelas interações destas famosas atrizes, foi feita uma série, ainda em produção, que aborda quer o mundo do cinema, quer a rodagem deste filme. Chama-se  Feud e conta com a Susan Sarandon como Bette Davis e a Jéssica Lange como Joan Crawford. Atrizes a fazerem de outras atrizes, a rodarem um filme - deve ser interessantíssimo!





Kisses da vossa Geek

domingo, 30 de abril de 2017

Opinião

O Carrinho de Linha Azul

Tal como o próprio título sugere, neste livro "desfia-se" uma história de família, com uma casa como protagonista, em que as sucessivas gerações de Whitshanks se perfilam, para contar as suas aventuras e desventuras.
O livro começa por nos apresentar Abby e Red, os patriarcas atuais da família. Eles têm 4 filhos, todos adultos, alguns netos e, o que começa por ser uma família picture perfect, com uma análise mais demorada, conseguimos ver o que na realidade são: seres humanos, com erros, glórias e derrotas, como todos temos.

São-nos apresentados os filhos, uns responsáveis, outros nem por isso; uns com mais jeito para o negócio da família, e outros não se importando com nada.
O elemento catalisador entra em ação quando um deles muda-se para a casa de Bouton Road, aquela que fica por cima de uma colina e que tem um alpendre grande a toda a volta.
Na segunda parte do livro ficamos a conhecer os pais de Red e na terceira parte, como Red e Abby se apaixonaram.

Penso que este é um daqueles livros que tem uma palavra chave: a deste será domesticidade. Porque tudo neste livro grita casa, conforto, família. E com isso as desavenças entre irmãos, as preocupações dos pais, tudo aquilo que constitui uma dinâmica familiar, acontece aqui.
Não se pode dizer que há um enredo per si mas sim, a vida é o enredo deste livro. Não tem um início específico e também não terá um fim concreto - a autora fez o que eu chamo de "fatia de narração": se a vida destas personagens fosse um bolo, ela "cortou" uma fatia dessa linha de vida e deixou o resto do bolo na travessa. Para ser consumido mais tarde. Porque escolheu focar-se apenas nos acontecimentos contidos nessa pequena porção.
A escrita prende sem ser pretensiosa. Uma narrativa simples, sem aspirações filosóficas, que se lê pausadamente, pois as dinâmicas familiares são sempre assuntos de grande complexidade, devido á sua variedade e heterogeneidade.
Esta é uma história que todos nós nos podemos relacionar pois, quem não tem histórias parecidas nas suas respetivas famílias? Aquilo que não é dito em prol de uma paz, nos poucos momentos que todos se juntam, mas que, inevitavelmente, fica preso na garganta, para sair no momento mais oportuno (ou não)?

"Lá estava mais uma das excentricidades deles: tinham imenso jeito para fingir que tudo estava bem."

Kisses da vossa Geek

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Opinião

A Célula Adormecida

Um suposto suicídio e um ataque bombista em Lisboa na noite das eleições - será coincidência? Talvez sim, talvez não.
Uma jornalista determinada em desenterrar a verdade e um especialista em política do Médio Oriente vêem-se envolvidos numa teia de espionagem, atentados e jogos de interesses.
O Prof. Afonso Catalão é, sob todos os aspetos, uma figura calma, embora solitária, que se especializou em assuntos do Médio Oriente e que dá aulas na universidade. Mas o seu passado na Turquia e as razões que o levaram a vir embora levantam suspeitas, após o atentado. O que é que se passou, para que um eminente professor tenha vindo quase fugido de um país que, ao que tudo indica, ele adorava?
Diana Santos Silva é uma jornalista "tubarão" que, após montar uma cilada ao Prof. Catalão, acaba por ajudar na investigação deste caso e descobrir os podres de uma das famílias mais influentes do país.
Uma família de emigrantes chega á costa da ilha de Lesbos, já sem a mãe, morta durante a travessia.

Todos estes elementos se conjugam, para um thriller com pano de fundo muito atual: a crise migratória, o terrorismo e sobretudo o Daesh - o que é, como se financia e como faz a captação de elementos para as suas fileiras.
Gostei da quantidade de informação disponível - bastante, mas sem parar a narrativa - mantendo um ritmo elevado. Tem diálogos credíveis e um protagonista torturado psicologicamente - tudo elementos que gosto e que foram bem explorados neste livro. Os dramas expostos foram bem conduzidos e nada forçados, pelo que o autor conseguiu transmitir as lutas internas das personagens de forma nada lamechas, mas de tal modo que as pude sentir e perceber - sem falsos dramatismos.
A escrita é fluída e imprime um ritmo rápido de leitura, também derivado aos capítulos curtos, o que faz com que as quase 600 páginas se leiam num ápice.
A pesquisa sobre o assunto também está muito bem feita e completa: gostei de saber mais pormenores de como é que este grupo terrorista funciona e, como funciona, por contraposição, o Médio Oriente no seu todo, que não tem nada a ver com estes extremismos, com estas interpretações livres do seu livro sagrado, que apenas visam servir interesses obscuros.

Kisses da vossa Geek

domingo, 23 de abril de 2017

Vamos falar de ....Sitcoms

Pois, não é só de temas sérios ou históricos que se fala aqui. Se há algo que gosto é de uma boa sitcom, com personagens completamente irreais, de tão engraçadas que são. Para mim, o melhor humor é o nonsense e nesse caso, adoro as séries britânicas. Durante muito tempo fui espectadora assídua do programa Britcom, que passava no na RTP2 aos sábados á note.

Seguem-se algumas das séries que mais me fizeram rir.

Keeping Up Appearances - Uma senhora inglesa tão certa da sua importância na comunidade, que só dá origem a mal-entendidos. Tem a mania que é fina, mas com uma família completamente a desmentir tal presunção. Tem um marido que é um santo e lhe atura as maluquices todas. Muito british e muito engraçada com situações de rebolar a rir.





Abolutly Fabulous - Uma estilista com mommy issues e uma amiga completamente sex, drugs and rock n`roll e sempre com a beata ao canto da boca. Lancem a esta confusão uma filha que age como uma mãe, e temos a receita para gargalhadas infindas.

The Big Bang Theory - mais recente, mas com personagens tão nonsense como as anteriores, desde a vizinha crava ao nerd que não consegue falar com mulheres e ainda o judeu com uma mãe híper-protetora que mora em Queens. Esta série ainda está a ser produzida

Blackadder - com o famoso Rowan Atkinson, num papel que tem tanto de histórico como de divertido. É a história dos descendentes desta familia ao longo dos tempos, desde o reinado de Eduardo II até á I Guerra Mundial, onde os sucessivos Blackadder fazem o que sabem fazer melhor: serem cobardes e oportunistas, de uma maneira atabalhoada e humorística. De destacar o companheiro de sempre, Baldrick. Esta série conta também com Hugh Laurie, mais conhecido por Dr. House e com Stephen Frie, outro comediante muito conhecido.

Fresh off The Boat - a minha descoberta mais recente. Contada ao estilo de How I Met Your Mother, conta a história de uma família de imigrantes chineses a viver nos Estados Unidos. Um dos filhos está no futuro, a relatar como era a vivência deles nos anos 90 - há referências ao Melrose Place, por exemplo. De chorar a rir o episodio do Dia de Acão de Graças.

Há muitas mais, mas ficamos por estas. Digam-me se já viram alguma delas ou então dêem sugestões para eu ver.

Kisses da vossa Geek

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Reflexões

A arte da escrita


Não acredito realmente em coincidências. Acho que há situações que se nos apresentam, em determinada altura da nossa vida e que são indicadoras de algo, que podemos conseguir interpretar ou não, mas elas estão lá.

Isto a propósito de duas leituras recentes: Paris é uma Festa e As Horas Distantes. Poderão dizer - são dispares. Sim, são! Mas têm uma vertente muito marcada: a criatividade, nomeadamente a escrita, a produção de textos. E é aí que batem as coincidências todas.



Em Paris è Uma Festa conta-se, em jeito de memória, o ambiente artístico daquele período e naquela cidade em específico. Aborda-se o processo criativo, as tricas entre escritores, amizades e inimizades que se faziam com o levantar de um copo de vinho - sim, o vinho era essencial no processo todo.

Nas Horas Distantes, o  foco vai para o segredo da inspiração - de onde vem, como é utilizada e também das consequências de uma inspiração mal usada. Também do processo de escrita e como retirar mais produtividade, como ser prolífico.

A visão do escritor é escrutinada sob uma multitude de paradigmas que podem estar todos certos...ou não. Certo, é só isto que li n´As Horas Distantes: se ficar à espera da história certa, para a passar para o papel, vai-se ter é um monte de páginas vazias. O exercício da escrita é isso mesmo: exercício. A ser feito todos os dias de forma regular, e, embora possa sofrer muita edição e corte, mas sim - todos os dias, sem exceção. Já vi várias entrevistas, a autores conceituados e a resposta deles é sempre a mesma: todos os dias escrevem, não importando se se sentem mais inspirados ou não. E não há duas pessoas que, assistindo ao mesmo evento,  o descrevam da mesma maneira.

Por isto tudo e por muito mais, vi ressurgir em mim a vontade antiga de escrever um livro. De quê ainda não sei, mas, mais uma vez - pois já tentei anteriormente - dar uma chance ao que me vai aqui dentro, ao que me apetece pôr para fora, independentemente se os outros gostam ou não. Porque a escrita é algo muito pessoal, em primeiro lugar. Quantas vezes ficamos frustrados com o rumo de um livro, dizemos que faríamos de outra maneira, armamo-nos em escritores e não fazemos uma reflexão simples: o autor escolheu este rumo porque quis, porque lhe fez sentido - quem somos nós para criticar isso?


Kisses da vossa Geek




domingo, 16 de abril de 2017

Projecto Historiquices  Maio

Catarina, a Grande

E já chegámos a Maio. Com ele, vem outra figura histórica, outra grande mulher. Grande Rainha.

Catarina nasceu em 1729, num dos muitos principados germânicos que constituíam o que hoje é designado por Alemanha. Nasceu com o nome de Sofia Frederica Augusta de Anhalt-Zerbst-Dornburg e, com 10 anos de idade, foi para  Rússia viver com a Imperatriz Isabel, para que fosse educada na corte, porque mais tarde iria casar com o seu sobrinho Pedro, Grão-Duque. Foi na sua conversão á Igreja Ortodoxa russa que adotou o nome de Catarina.
Este foi o passo mais importante para a sua entrada na corte russa. Ela fez tudo para ser aceite: aprendeu a língua, a cultura e sobretudo como evitar entrar em confronto com a Imperatriz, que era mulher dada a destemperos de comportamento.
Catarina teve um casamento infeliz, com um marido que possivelmente hoje seria diagnosticado de bipolar, o que tornou a sua vida, enquanto Grã-Duquesa, miserável. 
Após a morte de Isabel e a subida de Pedro e Catarina  ao trono, as relações entre eles ficaram piores, com ela em risco de ser mandada para um convento, por vontade do seu marido, para ele poder desposar a amante. Mas Catarina não havia de ficar quieta, enquanto o reino e a vida porque ela lutou tantos anos e com tanta inteligência, ficasse nas mãos doentes do marido. 
O que se sabe em seguida é que Pedro morreu ás mãos do irmão de Gregory Orlov, amante de Catarina e que o poder dela foi legitimado enquanto imperatriz.
O seu reinado é conhecido pela sua inclinação claramente Iluminista. Ela escreveu manuais de educação para crianças, inspiradas nas ideias de autores franceses, correspondeu-se com Voltaire durante décadas e ele chegou a estar um tempo na sua corte. Em tudo, ela procurou consolidar e aumentar o prestígio da Rússia, apenas falhando num assunto que ela nunca quis pegar: os servos.
Mas o aspeto sempre mais focado, e penso que por ser mulher, será a sua insaciedade sexual. Muitas são as lendas que giram em torno disso, sendo a do cavalo a mais engraçada e emblemática. Nunca uma mulher que alguma vez deteve o poder, passou por ele imaculada deste tipo de rumores e piadas sexistas.
Certo é que ela teve numerosos amantes, todos devidamente documentados pelas generosas doações e pensões. Mas algumas das histórias são perfeitamente ridículas, e, servem apenas para menosprezar o trabalho incansável dela.

Tinha defeitos? Sim, afinal era só humana. Mas no espaço de tempo que lhe foi concedido, ela realizou mais do que uma horda inteira de Romanovs, antes e depois dela.

Livros












Documentário


Filme


Kisses da vossa Geek

quarta-feira, 12 de abril de 2017


Os 10 ódios de estimação que tenho nos livros

Inspirada pelo post da Raquel, do canal do Youtube e blog So Happy with Books, resolvi também fazer o meu top de coisas que não gosto nos livros.

1 - Capítulos longos - ok, esta parece fútil, mas gosto mais de capítulos curtos porque me impelem mais a ler.

2 - Triângulos amorosos metidos "à força" - só para introduzir algum tipo de interesse na história, ou porque chegou a um impasse, mas sem fazer avançar o enredo - dispenso! Tal como cenas de sexo com o mesmo intuito - "vamos alegrar isto, que está morto": morte certa para mim.


3 - O "Calimero" - aquela personagem coitadinha, que se apresenta sempre a choramingar com a vida e que a mínima coisa pôe-na de rastos, mas que nunca soluciona nada e está sempre á espera que, mágicamente, e sem mexer um dedo, que as coisas se componham - dá-me urticária.

4 - Heróis ou heroínas á prova de tudo - parecem arraçados de Super-Homem: a coisa pior que lhes possa acontecer, nunca lhes quebra o otimismo, quase a roçar a esquizofrenia. Irreal, para mim. E muito irritante de ler.


5 - Livros onde os diálogos estão confusos - ou seja, aqueles que tenho que ler por 2 e 3 vezes para perceber quem diz o quê a quem. Pior ainda se forem com personagens com nomes iguais ou parecidos.

6 - Pais ausentes - sério! Temos adolescentes e....onde andam os pais deles, que nunca aparecem? Parece que foram criados com os lobos. Também irreal, pelo menos para mim e através da minha lente "maternal".

7 - A inevitável história de amor entre protagonistas - muitas vezes é só porque sim - mais um engenho para entreter o leitor, numa história "morna".

8 - Letras e margens pequenas - é como se fosse um muro de palavras, a virem na minha direção: torna-se fastidioso de ler.

9 - O "enche chouriços" - o autor anda à roda e à roda para encher páginas - será que recebe quantas mais escrever? - para, no final, o mesmo podia ter sido dito com metade. Fico com a sensação que andaram a desperdiçar o meu tempo.

10 - O cliché do patinho feio - o antissocial, feio, gordo, borbulhento e mais que seja, que é gozado pelos populares do sítio e que, de repente - lo and behold: tem uma transformação a 180º! Toda a gente se quer dar com ele, sair com ele, namorar com ele, estar em redor dele. Tão mau que me faz revirar os olhos.


 E vocês - quais são os vossos ódios de estimação? Contem-me tudo eu vou adorar ler!

Kisses da vossa Geek

domingo, 9 de abril de 2017

Video novo no canal

Mais um Casual Geek onde falo entre outras coisas de leituras que duram mis tempo que o expectável... mas porque gostamos.



Kisses da vossa Geek

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Opinião


O Livreiro de Paris

Antes de começar, devo dizer que este livro é um dos mais singulares que já li na minha vida. Não é de fantasia, para ter o dragão ou heroína de serviço, e no entanto é tão diferente que me levou mais de uma semana para ler as suas 300 e poucas páginas. Vamos descobrir porquê?

A história toda começa e termina em Jean Perdu, um livreiro, que tem um barco-livraria atracado no rio Sena há 20 anos. Ele não é um livreiro comum - apenas vende os livros que condizem com os clientes que entram no seu Lulu (é o barco). Aliás, é ambição dele fazer uma espécie de farmacopeia literária em que sintomas como mal de amor, ansiedade, demasiado realismo são "curados" através da leitura de determinadas obras.

"Leia isto. Três páginas todas as manhãs, deitado, antes de tomar o pequeno-almoço. Deve ser a primeira coisa que entra dentro de si. Depois de algumas semanas já não se vai sentir tão ferido."

Mas se Jean Perdu é muito bom a ler os outros e a resolver-lhes as maleitas, o mesmo não se pode dizer acerca de conseguir dar um rumo á sua vida.

No dia em que uma nova vizinha vai morar para o prédio de apartamentos nº 27 da Rue Montagnard, há uma revolução que se vai começar a germinar e que irá culminar com Jean - e todos os intervenientes - a se conhecerem melhor a si mesmos. Vai ser uma viagem ao interior de cada um. Vai haver perguntas, que vão sendo respondidas à medida que outras perguntas vão surgindo.

Não quero revelar muito mais do enredo em si, pois eu sabia muito pouco ao começar a leitura e penso que, para se apreciar o livro na sua plenitude, é necessário passar pelas suas variadas etapas, sem stresses, sem pressa e a saborear.
Como disse, levei mais de uma semana a completar a sua leitura, não porque me estivesse a desagradar, mas pela sua singularidade  e pelo facto de nos trazer sons, cheiros e imagens tão vivas que parece que estamos lá. Viajei para França através das páginas deste livro, senti o Mistral na cara, cheirei a lavanda nos campos, a vida buliçosa de Paris....e por isso, não me queria despedir do livro.

Esta narrativa é também uma ode aos livros e á leitura - basta que a personagem principal é um livreiro e leitor convicto. São imensas as passagens onde ele refere livros e personagens.

"Nº 14: Clarisse Menepeche. Que alma mais terna num corpo tão pesado! Adorava a guerreira Brienne das Crónicas de Gelo e Fogo"

A escrita é linda, poética, evocativa - conseguimos ver tudo com os nossos próprios olhos, o que me surpreendeu imenso.
Esta foi uma obra que degustei devagar, que li e meditei sobre ela. É certo que tem uma premissa invulgar, mas ao mesmo tempo tão positiva e indutora de calma e tranquilidade, que tantas vezes é necessária na nossa vida.
Deixo-vos com um último excerto.

" Ler. Uma viagem sem fim. Uma longa, no fundo, eterna viagem, no decorrer da qual uma pessoa se vai tornando mais benévola, mais amante e amável."

Kisses da vossa Geek

domingo, 2 de abril de 2017

Wrap Up Historiquices Março

As Irmãs Brontë

Vídeo onde explico o que li e vi para ficar a conhecer melhor estas grandes figuras da literatura mundial.


Kisses da vossa Geek